Flávio Bolsonaro promete revisar papel do Ibama, Funai e ICMBio e quer explorar gás de 'fracking'

  • Por João Gabriel e André Borges | Folhapress
  • 09 Out 2026
  • 18:48h

Fotos: Reprodução / Agencia Brasil

O plano de um possível governo de Flávio Bolsonaro (PL) sugere um licenciamento ambiental que autorize empreendimentos mesmo sem análise de impacto, eliminação de atribuições de órgãos ambientais e autorização de mineração de gás por meio de fraturamento hidráulico, a polêmica exploração subterrânea conhecida como "fracking".
 

Seu plano ecoa em discursos feitos pelo senador neste ano. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o candidato defendeu acabar com "amarras ambientais", disse que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) formam um "império" e são xiitas, comprometeu-se a "trazer para a Presidência da República" o licenciamento e prometeu não demarcar terras indígenas, repetindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje preso por liderar a tentativa de golpe após as eleições de 2026.
 

A campanha de Flávio foi procurada pela reportagem, por meio de sua assessoria de comunicação, desde a terça-feira (6), mas não respondeu ao pedido de posicionamento sobre os temas tratados nesta reportagem.
 

As prioridades ambientais de seu programa de governo seguem pelo mesmo caminho já percorrido pelo Congresso nos últimos anos, com aprovação de uma agenda criticada por ambientalistas, como a desidratação do Ministério do Meio Ambiente, a nova lei do licenciamento, a flexibilização para uso de agrotóxicos e o marco temporal das terras indígenas.
 

Em sua proposta, Flávio não menciona, nenhuma vez, termos como "aquecimento global" ou "mudança climática", nem mesmo as recentes ondas de calor que atingiram cidades brasileiras. Também ignora tragédias climáticas, como as enxurradas no Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia. O texto cita, genericamente, enchentes, por exemplo.
 

As inundações do Sul atingiram 5,5 milhões de pessoas e causaram um prejuízo de R$ 319,1 bilhões ao agronegócio. No Norte e Nordeste, a falta de água afeta milhares de famílias, o transporte e a geração de energia.
 

Nem o plano de Flávio nem o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionam o El Niño, fenômeno climático que pode ter força e impacto inéditos no país em 2027.
 

"Vamos eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio", promete o plano do bolsonarista, sem detalhar quais seriam essas superposições e sinalizando a possibilidade de extinção de áreas.
 

De forma resumida, essas três entidades cuidam, respectivamente, da fiscalização e do licenciamento ambiental, dos povos indígenas e da gestão das unidades de conservação. Os três órgãos foram desidratados no governo de Jair Bolsonaro (PL), com perseguição a servidores e sucateamento das estruturas. O desmatamento florestal entre 2019 e 2022 explodiu, chegando a níveis recordes em todo o país.
 

Flávio promete "zerar o desmatamento ilegal até 2029". Essa meta, na prática, pode abrir espaço para o aumento da destruição florestal. Isso porque hoje grande parte da supressão vegetal é autorizada por órgãos estaduais ou municipais —ou seja, é legal.
 

Em um cenário hipotético, o plano permite que o Brasil chegue ao fim do ano com uma cobertura total de floresta menor do que começou (ou seja, com alta de desmatamento), desde que nada tenha acontecido de forma ilegal.
 

O plano defende a fiscalização ambiental contra grilagem e garimpo ilegal, mas com foco em organizações criminosas e sem criar "novas obrigações" para o produtor.
 

As propostas de Flávio incluem um "licenciamento ambiental ágil, moderno e com segurança jurídica". Na prática, a ideia é que, caso o órgão de controle não se manifeste dentro de um determinado prazo —que ele não diz qual é—, a autorização ambiental será dada automaticamente.
 

O licenciamento ambiental é, historicamente, uma das principais áreas de debate entre ambientalistas e setores econômicos, que reclamam do prazo dos órgãos para avaliar processos. O plano de governo prevê liberar "grandes obras, usinas, minas e projetos industriais", mesmo que não sejam analisados seus impactos ambientais e sociais.
 

Em 2026, o Congresso aprovou uma nova lei de licenciamento, que flexibilizou, simplificou e afrouxou as regras destes procedimentofs.
 

Como revelou a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atuou diretamente para criar a LAE (Licença Ambiental Especial), processo que permite ao governo federal escolher, por critérios políticos, projetos prioritários e que passam a ter todo o processo de licenciamento acelerado, com prazo máximo de até um ano, independentemente de seu potencial impacto.
 

A nova lei também institui a LAC (Licença por Adesão e Compromisso), que autoriza um empreendimento apenas diante da promessa do empreendedor de cumprir regras ambientais.
 

O documento apresentado pelo filho de Jair Bolsonaro promete substituir o que define como "punição cega" a moradores da Amazônia por "orientação e regularização", mas não detalha se isso envolve reduzir ou suspender multas, embargos e apreensões por infrações ambientais.
 

Hoje, as condições previstas para um determinado empreendimento podem ser revisadas periodicamente pelo Ibama, uma vez que a realidade de um local, no mom ento em que a autorização é dada, pode mudar, assim como seus impactos sobre a região.
 

Flávio quer que as regras perdurem por 20 anos de forma estável, o que pode ignorar novos cenários de escassez hídrica ou riscos à população, por exemplo. E promete punir o Estado em caso de alterações antes desse prazo.
 

A ideia é que haja "estabilidade de regras" por até 20 anos e responsabilização do Estado por prejuízos quando voltar atrás em uma licença.
 

Na área de combustíveis, Flávio dedica parte de seu plano de governo a defender os biocombustíveis, pauta também levantada pelo governo Lula. Sobre petróleo, o documento é vago. Promete apenas que tal "riqueza" deve se "transformar em energia e emprego".
 

Um dos pontos mais polêmicos, porém, envolve a extração de gás. Seu plano defende a técnica do "fracking" no país, técnica que consiste em injetar fluidos por meio da abertura de um canal aberto no selo, a quilômetros de profundidade, para explodir rochas com alta pressão de produtos químicos e, assim, liberar o gás contido nas rochas.
 

O "fracking", já banido em dezenas de países, é criticado pelo risco de contaminação de rios e aquíferos subterrâneos, podendo fazer com que partículas poluentes se espalhem rapidamente por toda uma bacia hidrográfica.
 

O atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também defende esse tipo de extração e chegou a prometer a liberação desse tipo de projeto na gestão petista. Não avançou.
 

*
 

PRINCIPAIS PONTOS SOBRE MEIO AMBIENTE DOS PLANOS DE GOVERNO DE LULA E FLÁVIO
 

Tema/candidato - Lula (PT) - Flávio Bolsonaro (PL)
 

Mudança climática e aquecimento global Defende políticas de enfrentamento ao aquecimento global e menciona a mudança climática nove vezes Não menciona esses termos, apenas "eventos climáticos extremos" e uma única vez
 

Desmatamento e fogo Defende o Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo e "alcançar o desmatamento líquido zero até 2030" Defende zerar o desmatamento ilegal até 2029 e combater queimadas ilegais, fortalecendo a prevenção, o monitoramento, a fiscalização e o combate aos crimes ambientais
 

Fiscalização - Quer expandir monitoramento satelital e uso de inteligência artificial no combate a crimes ambientais e mecanismos de rastreabilidade e devida diligência nas cadeias produtivas - Propõe ferramentas aperfeiçoadas por inteligência artificial, imagens de satélite e ação coordenada "sem criar novas obrigações ou custos desnecessários para o produtor". Quer reforçar o combate às organizações criminosas envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira, garimpo ilegal e ocupação irregular de terras públicas
 

Ordenamento territorial Propõe avançar na destinação das terras públicas para unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos, e reforçar a regularização fundiária - Quer acabar com a política que criminaliza o morador da floresta e prevê a cooperação com os países vizinhos contra os crimes ambientais transfronteiriços e organizações criminosas
 

Entidades ambientais - Defende o Código Florestal, a Lei da Mata Atlântica e o fortalecimento de arranjos regionais de planejamento e governança, envolvendo União, estados, municípios, consórcios públicos, universidades, instituições financeiras e setor produtivo - "Vamos eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio" e "exigir transparência de financiadores e de projetos das ONGs que recebem recursos internacionais e judicializam ações contra a União", promete
 

Economia verde Cita o mercado de carbono e defende o pagamento de serviços ambientais voltados à biodiversidade e reconhecer legalmente a restauração biocultural como estratégia de Estado, distinta e complementar à restauração florestal convencional Defende pagamento por serviços ambientais, consolidar o mercado regulado de carbono, fortalecer a indústra de fármacos e cosméticos e posicionar o Brasil como fornecedor global de ativos ambientais
 

Metas climáticas do Acordo de Paris Defende o TFFF (Fundo de Florestas Para Sempre), o Fundo Clima e o Eco Invest como formas de cumprir essas metas - Não trata do tema
 

Petróleo, gás e combustíveis fósseis - Defende o mapa do caminho global para longe dos combustíveis fósseis, investimentos da Petrobras em transição energética e promete que "novas reservas serão exploradas com cuidados socioambientais ainda maiores e visão estratégica". Não menciona Foz do Amazonas - Não menciona Foz do Amazonas e cita petróleo de forma genérica. Defende uma série de políticas sobre gás (como a exploração pelo Pré-Sal, o Gás do Povo e o fracking). "Nosso objetivo é a segurança energética total ao menor preço possível para o consumidor"
 

Minerais críticos e terras raras - Quer "evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas" e promover o beneficiamento e agregação de valor, para inserir o país de forma soberana nas cadeias globais Defende agregar valor, a verticalização com incentivos de mercado e atrair o capital estrangeiro e a tecnologia
 

Adaptação - Propõe a adaptação climática como eixo permanente do planejamento público, com planos estaduais e municipais de enfrentamento ao calor extremo e às enchentes, além de revitalizar bacias hidrográficas para combater a seca - Quer ampliar a infraestrutura de prevenção a eventos climáticos extremos, universalizar o acesso a sanemaneto básico, construis reservatórios para ter cidades protegidas da seca e da enchente e combater a seca para que a água chegue com segurança à torneira e à lavoura

Apesar de “ótima conversa”, ACM Neto nega debate para assumir ministério em eventual governo de Flávio Bolsonaro

  • Por Maurício Leiro / Victor Hernandes/Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 16:19h

Foto: Reprodução Redes Sociais

O candidato derrotado ao Governo da Bahia, ACM Neto (União), negou articulações para assumir um ministério em eventual governo do candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). O relato chega após uma reportagem do Bahia Notícias apontar que o ex-prefeito da capital baiana  almejava compor o eventual governo de Flávio, podendo integrar um ministério que trouxesse uma "conexão" com a Bahia e o Nordeste. 

 

 

Interlocutores apontam que a vontade seria de ter um ministério nos moldes do antigo Ministério da Integração Nacional, órgão que foi criado em 1999 sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de centralizar as políticas de redução das desigualdades regionais e coordenar frentes críticas como a Defesa Civil e a infraestrutura hídrica nacional.

 

Em contato com o site, ACM Neto confirmou que houve uma conversa com Flávio e classificou o encontro como “ótima conversa” ao decorrer da semana. Entretanto, o ex-candidato ao governo baiano disse que não tratou nenhum “ministério” em “nenhum momento”. 

 

ENTENDA O DEBATE
As articulações realizadas recentemente pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), culminando no apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, teriam passado por acordo futuro. Um encontro na última quarta-feira (7) pavimentou o apoio ao presidenciável e abriu um leque de possibilidades para uma futura gestão. 

 

Para além de organizar uma agenda ampla de Flávio na Bahia, buscando ampliar a votação no estado, alguns pontos futuros também foram debatidos. Lideranças presentes na capital federal e no encontro entre os "novos" aliados indicaram ao Bahia Notícias, sob condição de anonimato, que alguns pleitos foram apresentados. Por parte de Neto, o desejo é, de fato, compor o eventual governo de Flávio, podendo integrar um ministério que traga uma "conexão" com a Bahia e o Nordeste. 

 

 O Ministério da Integração Nacional, alvo do debate, ao longo das décadas passou por profundas reestruturações políticas: em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), foi fundida ao Ministério das Cidades para dar origem ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Essa configuração permaneceu até janeiro de 2023, quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva desmembrou novamente as áreas, rebatizando a pasta com o seu nome atual, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), devolvendo ao primeiro escalão o foco exclusivo no desenvolvimento das regiões mais vulneráveis do país.

 

Ao longo dessa trajetória, a Bahia exerceu forte protagonismo no comando da pasta, consolidando sua influência na articulação de grandes projetos para o Nordeste. Políticos baianos de grande peso nacional ocuparam a cadeira de ministro, como Geddel Vieira Lima, que liderou o órgão entre 2007 e 2010 gerenciando obras emblemáticas como a transposição do Rio São Francisco, e o engenheiro João Reis Santana Filho, que assumiu o posto em 2010 garantindo a continuidade de investimentos estruturantes em segurança hídrica e saneamento. 

 

A presença dessas lideranças reforça o caráter estratégico do ministério que, historicamente, canaliza demandas decisivas para o semiárido e para o fortalecimento da infraestrutura do estado. Outro ponto seria também o fortalecimento das relações políticas, já que a atuação direta também possibilita uma maior interação com prefeitos, mantendo o projeto político de ACM Neto aceso, pensando em 2030. A possibilidade também passaria, por um aceno que também já teria sido verbalizado pelo político, de que não seria candidato à prefeitura de Salvador. 

 

A entrega no ministério também contaria com a verticalização dos cargos, ampliando também a atuação do ex-prefeito na acomodação de aliados no estado. Outras duas siglas também despertam o desejo: Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Elas são autarquias e empresas públicas federais vinculadas ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, voltadas para o desenvolvimento regional, infraestrutura hídrica e apoio a municípios no Brasil.

 

Ambas possuem uma larga margem para atuação, especialmente no Nordeste e na Bahia, inserindo, de certa forma, a possível gestão de Flávio Bolsonaro em uma região onde ainda enfrenta desafios nas urnas.

 

Lula tem 44,2% e Flávio Bolsonaro registra 42,7% em simulação de 2º turno, aponta Pesquisa Vox Brasil

  • Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 14:15h

Fotos: Reprodução / Agência Brasil

Levantamento de intenção de voto realizado pelo instituto Vox Brasil indica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44,2% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42,7% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno das eleições presidenciais. Os resultados configuram um quadro de empate técnico no limite da margem de erro.

 

De acordo com os dados apresentados, 3,4% dos entrevistados declararam a intenção de votar em branco ou anular o voto, enquanto 9,7% afirmaram estar indecisos ou não souberam responder. As informações são da revista Exame. 

 

A pesquisa ouviu 2.100 eleitores em todas as regiões do país entre os dias 5 e 7 de outubro. A margem de erro do levantamento é de 2,15%, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de protocolo BR-09623/2026.

Ministério desejado por ACM Neto tem vínculo direto com Nordeste e focaria em atuação política na Bahia; saiba detalhes

  • Por Mauricio Leiro I Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 12:49h

Foto: Vittor Sales

As articulações realizadas recentemente pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), culminando no apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, passam por acordo futuro. Um encontro na última quarta-feira (7) pavimentou o apoio ao presidenciável e abriu um leque de possibilidades para uma futura gestão. 

 

Para além de organizar uma agenda ampla de Flávio na Bahia, buscando ampliar a votação no estado, alguns pontos futuros também foram debatidos. Lideranças presentes na capital federal e no encontro entre os "novos" aliados indicaram ao Bahia Notícias, sob condição de anonimato, que alguns pleitos foram apresentados. Por parte de Neto, o desejo é, de fato, compor o eventual governo de Flávio, podendo integrar um ministério que traga uma "conexão" com a Bahia e o Nordeste. 

 

Interlocutores apontam que a vontade seria de ter um ministério nos moldes do antigo Ministério da Integração Nacional, órgão que foi criado em 1999 sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de centralizar as políticas de redução das desigualdades regionais e coordenar frentes críticas como a Defesa Civil e a infraestrutura hídrica nacional.

 

Ao longo das décadas, a pasta passou por profundas reestruturações políticas: em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), foi fundida ao Ministério das Cidades para dar origem ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Essa configuração permaneceu até janeiro de 2023, quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva desmembrou novamente as áreas, rebatizando a pasta com o seu nome atual, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), devolvendo ao primeiro escalão o foco exclusivo no desenvolvimento das regiões mais vulneráveis do país.

 

Ao longo dessa trajetória, a Bahia exerceu forte protagonismo no comando da pasta, consolidando sua influência na articulação de grandes projetos para o Nordeste. Políticos baianos de grande peso nacional ocuparam a cadeira de ministro, como Geddel Vieira Lima, que liderou o órgão entre 2007 e 2010 gerenciando obras emblemáticas como a transposição do Rio São Francisco, e o engenheiro João Reis Santana Filho, que assumiu o posto em 2010 garantindo a continuidade de investimentos estruturantes em segurança hídrica e saneamento. 

 

A presença dessas lideranças reforça o caráter estratégico do ministério que, historicamente, canaliza demandas decisivas para o semiárido e para o fortalecimento da infraestrutura do estado. Outro ponto seria também o fortalecimento das relações políticas, já que a atuação direta também possibilita uma maior interação com prefeitos, mantendo o projeto político de ACM Neto aceso, pensando em 2030. A possibilidade também passaria, por um aceno que também já teria sido verbalizado pelo político, de que não seria candidato à prefeitura de Salvador. 

 

A entrega no ministério também contaria com a verticalização dos cargos, ampliando também a atuação do ex-prefeito na acomodação de aliados no estado. Outras duas siglas também despertam o desejo: Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Elas são autarquias e empresas públicas federais vinculadas ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, voltadas para o desenvolvimento regional, infraestrutura hídrica e apoio a municípios no Brasil.

 

Ambas possuem uma larga margem para atuação, especialmente no Nordeste e na Bahia, inserindo, de certa forma, a possível gestão de Flávio Bolsonaro em uma região onde ainda enfrenta desafios nas urnas.

 

Saiba quem são os influenciadores presos acusados de esquema ilegal de apostas no Norte da Bahia

  • Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 10:17h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Quatro influenciadores digitais foram presos nesta quinta-feira (8) em Casa Nova, no Sertão do São Francisco, suspeitos de integrar um esquema ilegal de jogos de azar.

 

Os investigados foram identificados como Josivan Silva Ribeiro, Erika Taisa da Silva Sampaio, Vitor de Amorim Silva e Maria Luiza Barbosa Ribeiro, conhecida como Malluh Ribeiro, informou o g1.

 

Segundo a Polícia Civil, o grupo é investigado por promover apostas eletrônicas em plataformas clandestinas, além de suspeitas de associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 84 milhões em contas bancárias e bens dos investigados.

 

Nas redes sociais, Erika Taisa reúne mais de sete mil seguidores em uma conta verificada e também utilizava outro perfil para divulgar apostas online. Já Malluh Ribeiro tem mais de 100 mil seguidores e publicava conteúdos sobre viagens e festas.

 

Ainda segundo a polícia, as investigações começaram após a polícia identificar uma evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos conhecidos dos suspeitos. Conforme a apuração, eles exibiam viagens internacionais, imóveis em condomínios fechados e veículos de alto valor.

 

A polícia informou também que os investigados usavam as redes sociais para atrair apostadores a plataformas não autorizadas pelo Ministério da Fazenda, com divulgação de simulações de ganhos e promessas de enriquecimento rápido. A atuação do grupo teria alcançado cidades do Vale do São Francisco e estados vizinhos.

 

Além das quatro prisões, a operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos três carros, uma pistola, munições, seis celulares, dois quadriciclos, reboques, equipamentos de som automotivo e quatro geradores de energia.

 

Um dos veículos apreendidos está avaliado em R$ 350 mil. A ação contou com equipes das delegacias territoriais de Casa Nova e Juazeiro, da 7ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes de Juazeiro e do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (Gatti/Norte).

 

Lula cobra clubes por não virarem SAFs e volta a criticar dependência de patrocínios de bets

  • Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 08:38h

Foto: Youtube / Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a confrontar os clubes de futebol brasileiros que se posicionaram contra a proibição das casas de apostas no país. Durante conversa com jornalistas na noite da última quinta-feira (8), em Brasília, Lula questionou a resistência das equipes à adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e criticou a dependência financeira dos contratos de patrocínio com as bets.

 

A declaração ocorre em meio aos desdobramentos da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, que determinou o encerramento das operações de apostas esportivas e cassinos online no Brasil. Com o prazo de adequação encerrado na última segunda-feira (5), clubes de diferentes divisões precisaram retirar as marcas das empresas de seus uniformes e demais espaços publicitários.

 

Ao comentar as reclamações de dirigentes sobre os impactos financeiros da decisão, Lula afirmou que as agremiações precisam encontrar alternativas de sustentação econômica e citou a possibilidade de transformação em empresas.

 

"Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?", questionou o presidente.

 

Na avaliação de Lula, os recursos provenientes das plataformas de apostas fizeram com que parte dos clubes deixasse de buscar outras formas de financiamento. O presidente também defendeu que as equipes adotem práticas empresariais para manter suas atividades.

 

"Por que encontraram a facilidade do cassino? Encontraram a facilidade dentro da casa das pessoas pelo celular? Então, não vai ter mais isso. Vão ter que se virar, montar empresas e fazer o futebol funcionar como funciona em muitos lugares do mundo", declarou.

 

O presidente também rejeitou o argumento de que a retirada dos patrocínios comprometeria a continuidade das atividades esportivas. Para sustentar sua posição, relembrou conquistas históricas do futebol brasileiro anteriores à expansão das casas de apostas.

 

"Os times de futebol não têm nenhuma razão quando falam 'ah, o futebol vai morrer'. O futebol era muito mais vivo quando não tinha bets. Fomos cinco vezes campeões do mundo sem bets. Depois das bets, mais nada", afirmou.

 

Lula ainda associou a proibição à proteção da renda familiar, argumentando que as plataformas de apostas passaram a comprometer recursos destinados às necessidades básicas da população.

 

"Enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão e o feijão da família sejam utilizados para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país", disse.

 

CLUBES PROTESTAM CONTRA PROIBIÇÃO
A posição do Governo Federal provocou reações no futebol brasileiro, especialmente entre equipes que mantinham contratos milionários com operadoras de apostas.

 

Durante a 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, mensagens contrárias à medida provisória foram exibidas nas placas publicitárias dos estádios. Com o slogan "Proibir não é proteger", a mobilização reuniu empresas do setor e clubes que defendem a manutenção das atividades regulamentadas.

 

O Flamengo também utilizou o uniforme para divulgar a mensagem durante o empate com o Santos, na quinta-feira (8). A manifestação ocorreu enquanto entidades ligadas às casas de apostas questionam judicialmente a proibição.

 

A Medida Provisória também passou a ser discutida no Supremo Tribunal Federal (STF). O Governo Federal defende a constitucionalidade da norma, enquanto representantes do setor argumentam que a suspensão das operações pode provocar perdas econômicas, demissões e redução da arrecadação tributária.

 

O modelo de Sociedade Anônima do Futebol, mencionado por Lula, permite que clubes organizem suas atividades futebolísticas sob uma estrutura empresarial, com regras próprias de gestão, investimentos e governança. Entre as equipes brasileiras que já adotaram o formato estão Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco.

Alfredo Gaspar confirma agendas de Flávio Bolsonaro na Bahia após apoio de Neto

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2026
  • 16:08h

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar, afirmou que o candidato à Presidência deve realizar agendas na Bahia durante o segundo turno das eleições. Segundo ele, o estado será o primeiro destino de Flávio no Nordeste após o apoio declarado por ACM Neto (União-BA).

 

“Eu acho muito importante esse apoio do ACM Neto e do seu grupo político na Bahia, porque nós vamos ter a oportunidade de levar uma mensagem de prosperidade ao maior número de pessoas possível. Em breve, o presidente Flávio Bolsonaro fará algumas agendas na Bahia”, afirmou Gaspar em entrevista ao Metrópoles.

 

Além da Bahia, Flávio deve passar por Pernambuco e Ceará durante a campanha. Segundo Gaspar, a estratégia considera o desempenho do candidato na região no primeiro turno. “Nós vamos ter a oportunidade de levar uma mensagem de prosperidade ao maior número de pessoas possível”, reforçou o vice.

 

O retorno à Bahia ocorre após ACM Neto declarar apoio a Flávio nesta quarta-feira (7). Na terça-feira (6), a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, também anunciou apoio ao candidato do PL. Nesta quarta, Flávio se reuniu com senadores e deputados eleitos pelo PL, além de governadores aliados, para discutir ações para o segundo turno.

OMS lança guia para enfrentar obesidade em crianças e adolescentes

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2026
  • 14:02h

Foto: Reprodução / Angioclam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira (7) o primeiro guia de enfrentamento à obesidade em crianças e adolescentes. A prevalência da obesidade nessa faixa etária, segundo a entidade, quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.

 

Dados da agência das Nações Unidas especializada em saúde mostram que, em 2024, 170 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos eram obesas, incluindo 70 milhões com idade entre 5 e 9 anos e 100 milhões com idade entre 10 e 19 anos.

 

Em nota, a OMS destacou que a obesidade figura como uma doença crônica e recorrente, cujas consequências podem surgir mesmo na infância, aumentando o risco de doenças não transmissíveis, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

 

“Crianças e adolescentes com obesidade também podem sofrer estigma, discriminação e bullying. Prevenir e controlar a obesidade é fundamental para proteger a saúde física e mental de crianças e adolescentes, bem como para apoiar seu crescimento saudável, educação, bem-estar social e qualidade de vida.”

 

TRATAMENTO

Para crianças e adolescentes obesos, a entidade recomenda intervenções estruturadas envolvendo dieta, atividade física e mudança de comportamento, realizadas individualmente ou como parte de um programa multimodal.

 

“Intervenções de saúde digital são recomendadas condicionalmente, mediante supervisão dos pais ou cuidadores”, destacou a OMS.

 

A organização não recomenda tratamento farmacológico, cirurgia bariátrica (que altera o tamanho do estômago e o trato digestivo) ou dispositivos para perda de peso para crianças com até 9 anos.

 

No caso de adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, o tratamento com medicamentos aprovados, como as chamadas canetas emagrecedoras, segundo a entidade, pode ser considerado apenas quando um programa multimodal de estilo de vida supervisionado não tiver alcançado os resultados esperados.

 

“A cirurgia bariátrica pode ser considerada, sob condições rigorosas, para adolescentes com obesidade grave.”

 

SAÚDE MENTAL

Embora não figure como foco principal das diretrizes, as recomendações também enfatizam a importância de abordar a saúde mental juntamente com a obesidade.

 

Ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional, segundo a OMS, podem contribuir para hábitos alimentares pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento social.

 

“Profissionais de saúde devem abordar tanto a obesidade quanto questões de saúde mental de forma precoce e conjunta, utilizando estratégias inclusivas, adequadas ao estágio de desenvolvimento e que envolvam a família”, detalhou a entidade.

 

Por fim, a organização destacou que o tratamento, por si só, não consegue reverter o aumento da obesidade e defendeu políticas e medidas que tornem dietas saudáveis ??e atividade física mais acessíveis e com custos mais viáveis, além de ações em educação, planejamento urbano, transporte e proteção social.

Incêndio atinge laboratório de pesquisa em prédio da UFPE

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2026
  • 12:25h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na noite desta quarta-feira (7). Segundo testemunhas, o fogo começou por volta das 20h. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado e enviou para o local cinco viaturas, mas não houve registro de vítimas.

 

O prédio atingido pelo fogo é o antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), localizado dentro da Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. Atualmente, o local abriga laboratórios diversos de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. 

 

Em nota, a UFPE lamentou o ocorrido, especialmente em relação às pesquisas afetadas e a todos os pesquisadores, docentes e estudantes que trabalhavam no local. A universidade informou ainda que acionou o Corpo de Bombeiros, mas, em função do tipo de produtos armazenados, o fogo se alastrou rapidamente e provocou grandes danos no prédio.

 

No fim da noite, o Corpo de Bombeiros informou que o incêndio foi controlado e que as equipes realizavam o trabalho de rescaldo. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, teria comparecido ao local e, depois, a instituição vai avaliar a situação e os danos causados.

 

As aulas foram mantidas na quinta-feira (8) nas demais unidades da universidade.

 

Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo e, no domingo (5), outro incêndio ocorreu no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.

Lázaro Ramos revela ter pedido ajuda a Wagner Moura para levar 'Feito Pipa' ao Oscar

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2026
  • 10:53h

Foto: Instagram/Bahia Notícias

O ator Lázaro Ramos revelou ter recorrido a Wagner Moura para orientações na campanha para transformar 'Feito Pipa' na escolha da Academia para representar o Brasil no Oscar 2027.

 

Em entrevista durante a première do filme no Festival do Rio, na última terça-feira (6), no Centro Cultural FGV, em Botafogo, o baiano contou que o amigo, indicado ao Oscar por 'O Agente Secreto', deu algumas orientações sobre a caminhada.

 

“Conversei, já pedi ajuda, já pedi telefone de gente para nos ajudar nas cerimônias lá em Los Angeles, e ele está ajudando super. Isso é muito legal”, disse.

 

Lázaro esteve em Los Angeles para acompanhar Moura na cerimônia do Oscar, no início do ano. 

 

Ao jornal 'Extra', o ator também revelou ter procurado o diretor Walter Salles, responsável por 'Ainda Estou Aqui', primeiro filme brasileiro a levar o Oscar em 2025.

 

“A galera que veio antes, o Walter Salles e o Wagner, foram super acolhedores, dando conselhos, falando das coisas. Isso é muito importante porque, dessa forma, vamos fortalecendo a nossa indústria”, afirmou.

 

A escolha do filme como representante do Brasil na corrida pelo Oscar foi anunciada no dia 16 de setembro.  

 

A produção ainda passará pelo processo de seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável por definir os filmes que avançarão na disputa pela categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027.

 

No dia 28 de outubro, o filme terá pré-estreia em Salvador. O evento faz parte de uma etapa classificatória para concorrer ao Oscar.

 

SOBRE O FILME
Ambientado no interior do Ceará, o filme acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino de 11 anos que sonha em ser jogador de futebol e vive com a avó, Dilma, personagem de Teca Pereira.

 

A relação entre os dois muda quando a saúde da avó começa a se fragilizar e surgem os primeiros sinais de Alzheimer. 

 

Com medo de precisar deixar Dilma e morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos, Gugu tenta esconder a situação para preservar a vida que construiu ao lado da avó. A produção tem direção de Allan Deberton.

Incêndio de grandes proporções atinge lojas e preocupa comerciantes em Vitória da Conquista

  • Brumado Urgente
  • 08 Out 2026
  • 09:20h

Foto: Print do vídeo em rede social

Um incêndio de grandes proporções atingiu estabelecimentos comerciais na Avenida Crescêncio Silveira, no Centro de Vitória da Conquista, na madrugada desta quinta-feira (8). As chamas começaram por volta das 2h e mobilizaram equipes do 7º Batalhão de Bombeiros Militar.

Imagens registradas no local mostram a intensidade do fogo e a grande quantidade de fumaça que se espalhou pela região. O incêndio causou preocupação entre comerciantes, principalmente pelo risco de as chamas atingirem imóveis vizinhos.

A ocorrência pode provocar prejuízos significativos ao comércio local, já que a área concentra estabelecimentos varejistas e atacadistas. Além das perdas materiais, o incêndio pode comprometer temporariamente o funcionamento dos negócios atingidos.

Até por volta das 7h, equipes do Corpo de Bombeiros continuavam trabalhando no combate às chamas. As causas do incêndio ainda eram desconhecidas, e não havia informações oficiais sobre a extensão dos danos ou o valor estimado dos prejuízos.

Oposição tenta evitar PEC 6x1 antes do 2º turno, mas Alcolumbre diz que votação está mantida

  • Por Fernanda Brigatti | Folhapress
  • 08 Out 2026
  • 08:31h

Foto: Ton Molina/Agência Senado

A votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 na próxima semana está mantida, segundo Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, apesar das tentativas da oposição de adiar o início da análise para depois das eleições.
 

Senadores de PL, PP e Republicanos se reuniram nesta quarta-feira (7) para tentar fechar uma estratégia diante do início da discussão da PEC no plenário. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi escalada para tentar, com Alcolumbre, evitar que a votação aconteça antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
 

Segundo ela, a oposição ainda avalia se vai apresentar emendas de plenário e quais serão as tentativas de modificação do texto. "Achamos que o Davi vai manter o rito que prometeu, o rito normal", afirmou.
 

A preocupação da oposição é com o efeito eleitoral de uma possível aprovação da redução da jornada semanal de trabalho sobre o desempenho de Lula. No primeiro turno, ele recebeu 2,3 milhões de votos a menos do que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
 

"Não afeta o Flávio, mas ajuda o Lula", diz a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Na avaliação dela, o assunto não deveria estar em discussão agora.
 

Apesar das críticas pela votação antes do segundo turno, Damares diz que a oposição não vai obstruir e deverá votar majoritariamente a favor. "Já tem voto suficiente para passar. Se você fala com os colegas individualmente, a maioria está a favor."
 

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco que tem também Avante e Novo, também diz que não haverá obstrução quando o texto for colocado em votação.
 

Fagundes não quis dizer se o bloco fecharia posição contra ou a favor, mas lembrou do resultado na Câmara dos Deputados. "Não tem posição. Na Câmara dos Deputados, a oposição votou favoravelmente."
 

O regimento do Senado prevê que as PECs passem por dois turnos de votação, com um intervalo entre elas. São necessárias cinco sessões de discussão antes da primeira votação -aconteceu nesta quarta a segunda discussão.
 

Seguindo esse calendário, a PEC poderia ser pautada para votação na quinta-feira da próxima semana. Alcolumbre sinalizou essa possibilidade nesta terça (6). A segunda votação, no entanto, ficaria para depois da eleição. Isso porque, segundo o regimento, são necessários cinco dias úteis antes das três sessões de discussão.
 

Senadores da oposição expressam suas preocupações com a tramitação em duas frentes: se a primeira votação será realmente na próxima semana e se há chance de a segunda votação ser realizada no mesmo dia.
 

Para que isso aconteça, é necessária a quebra de interstício. Nesta quarta, Alcolumbre descartou deixar a primeira votação para depois da eleição. Sobre a quebra, afirmou que se receber requerimento do tipo, colocará o pedido para análise dos parlamentares.
 

A líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE), está recolhendo assinaturas para um requerimento de calendário especial, com pedido de quebra de interstício. Ela espera chegar a 41 assinaturas. Se isso acontecer, os intervalos são encurtados e o texto pode ser votado em dois turnos no mesmo dia.
 

"Se aparecer um requerimento na mesa para quebrar o interstício após a votação de primeiro turno ou para um calendário especial para a gente deliberar sem a discussão das outras quatro sessões, vou submeter ao voto", disse Alcolumbre.
 

A terceira sessão de discussão está agendada para esta quinta-feira (8). O presidente do Senado disse considerar que seu compromisso com os senadores de não deixar as eleições contaminarem as decisões sobre a 6x1 está cumprido.
 

"Se o requerimento [de quebra de interstício] aparecer, eu vou deliberar, porque as eleições do dia 4 [de outubro, primeiro turno], que era o meu compromisso, já passaram."
 

Nesta quarta, após receber o apoio das bancadas do PP e do União Brasil no segundo turno, Flávio voltou a dizer que a discussão do fim da escala 6x1 é eleitoreira e que o presidente é hipócrita.
 

"Lula está pensando no poder, não no trabalhador. Se ele tivesse pensando no trabalhador, ele já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento [...] e não estava gastando desse jeito e jogando os juros na lua", disse.
 

Apesar de dizer ser a favor de que o trabalhador tenha descanso, Flávio evitou responder se votaria contra ou a favor da PEC. Na véspera, chamou a discussão de oportunista.
 

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), não quis responder como ele ou a oposição, que ele lidera, votará. Ele disse que o bloco não é "a favor nem contra fechar a escala 6x1".
 

"Sou favorável a dois dias de descanso, três dias de descanso, a quatro dias de descanso. A pergunta que vocês estão fazendo é o seguinte: eu sou favorável a dois dias de descanso? Eu sou, desde que o trabalhador tenha a possibilidade, a liberdade de fazer esse negócio aí". Marinho é autor de uma PEC que cria um modelo de remuneração por hora, definido por meio de acordo individual.
 

A senadora Tereza Cristina esteve com Davi Alcolumbre no início da noite e, ao sair, disse ter apresentado ao presidente do Senado suas preocupações quanto à necessidade de alterar o texto em discussão. Segundo ela, a redução da jornada de trabalho está praticamente pacificada entre os senadores.
 

O problema estaria no que a senadora considera ser um engessamento das escalas de trabalho, o que afetaria categorias com regimes especiais.
 

Davi Alcolumbre teria, de acordo com a senadora, ouvido seus relatos. "Ele ficou de pensar, mas a PEC vai seguir o trâmite dela, no rito normal do regimento interno do Senado."
 

A PEC do fim da 6x1 reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos, sem redução da remuneração. A alteração constitucional prevê uma transição para a redução das quatro horas semanais.
 

A primeira etapa começa a valer 60 dias depois da promulgação, com a redução da jornada semanal a 42 horas. A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois. A redução na jornada, segundo a PEC, não pode resultar em redução salarial.
 

O texto foi aprovado na Câmara em maio, e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, em setembro.

 

Flávio Bolsonaro critica PEC da escala 6x1 e volta a defender regime de trabalho por hora

  • Bahia Notícias
  • 07 Out 2026
  • 18:44h

Foto: Reprodução / Agência Brasil

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a criticar nesta terça-feira (6) a proposta de emenda à Constituição (PEC) apoiada pelo governo de Lula da Silva (PT) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil. Em contrapartida, o parlamentar defendeu um regime alternativo pautado na contratação por hora trabalhada, sob a justificativa de garantir maior "liberdade ao trabalhador".

 

Questionado sobre o projeto do governo, que tem previsão de ser pautado para análise no plenário do Senado ainda nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que a oposição possui uma proposta "infinitamente melhor" do que a apresentada pela gestão federal, centrada na possibilidade de o próprio funcionário escolher sua carga horária.

 

"Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que tá na mesa, que é da liberdade do trabalhador, [que o trabalhador] escolha sua própria carga horária. Tem muitas mães, por exemplo, que não conseguem trabalhar 8 horas por dia porque não têm com quem deixar seus filhos", declarou o senador.

 

A proposta alternativa articulada pela oposição prevê a redução da jornada por meio de acordo individual entre empregado e empregador, estipulando remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas. O texto, no entanto, não extingue a escala 6x1 nem impõe uma redução geral e compulsória da jornada.

 

Para complementar a medida e atender à demanda mencionada, Flávio Bolsonaro declarou que pretende garantir acesso a creches para mães que não têm com quem deixar os filhos. As informações foram confirmadas pelo portal Metrópoles. 

 

Segundo o candidato, o plano inclui a concessão de um voucher para vagas em creches privadas, caso a rede pública não consiga suprir a demanda, permitindo que as trabalhadoras organizem suas jornadas diárias de trabalho.

Indígenas perdem uma cadeira na Câmara e são 0,6% dos deputados

  • Por Luana Lisboa e Natália Santos | Folhapress
  • 07 Out 2026
  • 16:42h

Fotos: Reprodução / Câmara dos Deputados

Nas eleições deste domingo (4), três candidatos autodeclarados indígenas foram eleitos para as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, ante quatro em 2022. Com isso, eles serão 0,6% dos deputados federais. No pleito anterior, eram 0,8%.
 

Nas Assembleias Legislativas, os deputados estaduais autodeclarados indígenas passaram de dois para quatro em um total de 1.059 cadeiras pelo país. No Senado, nenhum dos 54 eleitos neste ano se declarou indígena.
 

O levantamento considera a raça que os candidatos declararam no registro de candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não são contabilizados, portanto, candidatos que se autodeclararam pardos, por exemplo.
 

De acordo com o Censo 2022, a população indígena residente no Brasil é de mais de 1,6 milhão de pessoas, correspondendo a 0,83% da população total levantada pela pesquisa.
 

Os três deputados indígenas eleitos na Câmara são de partidos de esquerda, PT e PSOL, numa Casa em que 59,1% dos parlamentares estão em siglas de direita. Nas Assembleias, são dois deputados do PT e dois do PL.
 

Entre os sete indígenas eleitos, há três mulheres.
 

Na Câmara, a redução aconteceu após Célia Xakriabá (PSOL-MG) não conseguir se reeleger. Os outros três eleitos em 2022 renovaram o mandato, o que inclui Sonia Guajajara (PSOL-SP), primeira mulher indígena eleita deputada federal por São Paulo naquele ano. A ex-ministra dos Povos Indígenas pelo governo Lula se elegeu com 54.207 votos.
 

Nas redes sociais, Célia Xakriabá celebrou a reeleição de Guajajara. "A bancada do cocar segue firme", publicou.
 

Além de Sonia, Paulo Guedes (PT-MG) foi o 11º deputado mais votado em Minas Gerais, com 126.974 votos, e, em São Paulo, Juliana Cardoso (PT-SP) ficou em 45º lugar, com 111.904 votos.
 

No Senado, os 54 eleitos em 2026 se declararam brancos (38) ou pardos (16). Entre os candidatos à Casa, 1,3% se autodeclararam indígenas.
 

A Casa tem hoje um autodeclarado indígena. Trata-se do ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que não disputou a eleição neste ano.
 

Dos quatro deputados estaduais indígenas eleitos, Índia Armelau, no Rio de Janeiro, e Capitão Assumção, no Espírito Santo, são do PL e foram reeleitos.
 

Índia Armelau foi a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, com 248.504 votos. Capitão Assumção (PL) ficou em segundo lugar no Espírito Santo, com 60.097 votos.
 

O partido elegeu a maior bancada, com 121 deputados federais. Trata-se da sigla do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Lula (PT), com 47,03% dos votos ante 45,16% do petista.
 

Limma, 8º mais votado do Piauí, e Clóvis Curubão, no Amazonas, são do PT. Nenhum dos dois Estados havia eleito deputado estadual indígena em 2022. Limma teve 54.246 votos e Clóvis Curubão, 34.869.
 

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, é a segunda sigla com mais deputados federais eleitos: 70. Em seguida, aparece o União Brasil, com 46. O PSD é o seguinte, com 43 eleitos, seguido por PP e Republicanos, com 41 cada.

Big techs descumprem regras eleitorais no dia da votação, aponta estudo da UFRJ

  • Bahia Notícias
  • 07 Out 2026
  • 14:39h

Sede do NetLab | Foto: Reprodução / Google Street View

Redes sociais continuaram a veicular anúncios político-eleitorais e a recomendar conteúdos de candidatos no domingo (4), dia em que foi realizado o primeiro turno das eleições de 2026. O descumprimento das normas vigentes foi identificado em um levantamento do Observatório das Big Techs, ligado ao NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

A pesquisa encontrou anúncios irregulares em plataformas da Meta, no Kwai e no Google, além de recomendações não permitidas de vídeos de candidatos no TikTok e no YouTube.

 

Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral paga ou impulsionada na internet é proibida a partir de 48 horas antes da votação até 24 horas após o pleito. A legislação também estabelece que as plataformas que utilizam sistemas de recomendação devem excluir desses mecanismos os canais e perfis oficiais informados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral.

 

O monitoramento do NetLab utilizou buscas manuais e computacionais a partir de termos ligados às eleições e às candidaturas, acessando as bibliotecas de anúncios e as APIs (interfaces de programação) das redes sociais.

 

Irregularidades registradas por plataforma:

  • Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Audience Network): Foram identificados 568 anúncios veiculados de forma irregular no período proibido. Outros seis anúncios simulavam comunicações oficiais do TSE com o uso não autorizado de elementos visuais da Justiça Eleitoral, divulgando um sistema falso de "votação remota" pelo celular. Algumas dessas peças direcionavam o usuário para páginas que solicitavam o cadastro de CPF.

  • Kwai: O estudo localizou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e 4 listados como "em pausa", dos quais 3 haviam circulado no período de resguardo (entre 1º e 3 de outubro). Também foram mapeados 45 anúncios cujas datas finais haviam sido estendidas para o dia 4, embora o NetLab ressalte a existência de divergências nos dados fornecidos pela empresa.

  • Google: O monitoramento identificou um anúncio detectado originalmente em 3 de outubro que continuava ativo de forma irregular no dia da eleição.

  • Sistemas de Recomendação (TikTok e YouTube): Entre os dias 3 e 4 de outubro, foram recomendados 18 vídeos de sete candidatos no TikTok e 17 vídeos de seis candidatos no YouTube. No Instagram, não foram identificadas recomendações ativas de vídeos de candidatos.

 

O relatório do NetLab aponta que limitações na transparência de dados das plataformas dificultam a fiscalização e a responsabilização por infrações. Na Meta e no Kwai, os pesquisadores observaram divergências entre as informações exibidas ao público nas Bibliotecas de Anúncios e as listas exportadas via programação. Além disso, Google, LinkedIn e TikTok oferecem volumes limitados de dados para acompanhamento sistemático.

 

Procuradas pela reportagem, as plataformas enviaram os seguintes posicionamentos:

  • Meta: Afirmou estar comprometida com a proteção do processo eleitoral e com o cumprimento da legislação brasileira, destacando que a amostragem utilizada pelo NetLab não reflete a dimensão total de seu trabalho de integridade.

  • Kwai: Declarou aguardar acesso aos conteúdos para avaliação. Reiterou compromisso com as resoluções do TSE e informou que manteve operação especial de moderação no período, além de ter bloqueado a inclusão de novas peças publicitárias eleitorais a partir de 1º de outubro.

  • TikTok: Informou que atua em parceria com o TSE para garantir a integridade do pleito. A empresa destacou que, entre junho e setembro de 2026, removeu 348.963 vídeos no Brasil por violação de diretrizes sobre integridade cívica, desinformação e conteúdos enganosos gerados por inteligência artificial.

  • Google: Ressaltou que proíbe anúncios políticos no Brasil em suas políticas do Google Ads desde 2024. A empresa afirmou que atua de forma imediata contra violações e que a presença de apenas uma ocorrência no relatório demonstra a eficácia do trabalho de prevenção de suas equipes.