Aliado de Flávio Bolsonaro chama jornalistas de "prostitutas" e diz que Miriam Leitão "não merece ser estuprada"

  • Por Edu Mota, de Brasília - Via Bahia Notícias
  • 30 Jul 2026
  • 12:14h

Foto: Reprodução Rede X

Associações que representam jornalistas e veículos de imprensa divulgaram notas nesta quinta-feira (29) em repúdio às declarações dadas pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, em especial ataques misóginos dirigidos a Miriam Leitão. Durante uma live no Youtube na noite da última terça (28), Figueiredo, que é conselheiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que jornalistas seriam “putas pagas” com recursos públicos de publicidade estatal e “prostitutas de alma”.

 

Ao longo da transmissão, o influenciador, que atua nos Estados Unidos junto a Eduardo Bolsonaro para que Donald Trump aplique sanções a autoridades brasileiras, sugeriu que veículos e jornalistas dependeriam de verbas de publicidade estatal para existir. Ele citou nominalmente empresas de comunicação como Globo, Folha de S.Paulo e Poder360, e afirmou que, sem esse financiamento, profissionais estariam fora do mercado.

 

Em uma outra fala, Paulo Figueiredo elogiou declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando disse que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada por ser feia. O influenciador bolsonarista adaptou a declaração à jornalista Míriam Leitão, ao chamá-la de “Míriam Leitoa”.

 

“Não fossem esse dinheiro do governo Lula, elas estariam desempregadas, elas estariam catando lixo na rua, ou se prostituindo, algumas talvez tenham até aparência para se prostituir, outras não, não vou citar aqui nomes, mas tenho dificuldade de imaginar se, por exemplo, a Miriam Leitoa, caso não tivesse uma teta pra mamar na Globo, tenho dúvidas se haveria demanda caso se prostituísse. É mais uma que não merece ser estuprada, como todas as outras não merecem, mas essas talvez um pouco mais. Eu tenho desprezo por essas pessoas”, disse. 

 

Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) disse repudiar os ataques proferidos por Paulo Figueiredo contra jornalistas e veículos de comunicação. A associação destaca que as ofensas ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram grave incitação ao ódio e à intimidade de jornalistas.

 

“As ofensas, que incluem insultos e a banalização da violência sexual contra uma profissional da imprensa, ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram grave incitação ao ódio e à intimidação de jornalistas. É inadmissível que profissionais da comunicação sejam alvo de discursos que buscam constrangê-los, desqualificá-los e estimular a violência em razão do exercício de sua atividade. Ataques dessa natureza representam uma afronta à liberdade de imprensa, à dignidade da pessoa humana e ao direito da sociedade de receber informação livre, plural e independente”, diz a nota.

 

A entidade também manifestou solidariedade à jornalista Miriam Leitão e aos demais profissionais atingidos e disse esperar que as autoridades competentes adotem medidas cabíveis para a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos. A Abert reafirmou ainda seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão, do livre exercício do jornalismo e da integridade de todos os profissionais da comunicação.

 

Outra entidade que se manifestou foi a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que igualmente repudiou as declarações de Paulo Figueiredo. Em nota, a Abraji destacou que há frases do influenciar que guardam alta similaridade com ofensas pelas quais Jair Bolsonaro foi condenado a pagar indenização por danos morais. 

 

“A escolha das falas indica que o objetivo da mensagem, além do ataque gratuito a jornalistas, é produzir engajamento e atenção”, afirma a entidade.

 

A Abraji também manifestou sua solidariedade com a jornalista Miriam Leitão e a todas as profissionais atingidas pelas declarações, e exigiu a responsabilização de Paulo Figueiredo nas instâncias cabíveis, considerando o uso de discurso de ódio e incitação à violência. 

 

“Aproveitamos o episódio para cobrar também o compromisso de toda a sociedade, e em especial daqueles que disputam mandatos públicos, com a proteção de jornalistas — sobretudo mulheres — contra ataques que buscam silenciar a cobertura crítica por meio da violência simbólica e da ameaça. Este não é um episódio isolado. Há anos, jornalistas mulheres são alvo de violência por seu trabalho na imprensa brasileira. Em junho, Figueiredo já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República contra ele por declarações misóginas anteriores”, coloca a entidade em sua nota. 

 

“Repudiamos veementemente qualquer tentativa de normalizar a violência de gênero como instrumento de intimidação contra a imprensa, e, em especial, nossas colegas jornalistas. Ataques digitais como esses contribuem para a estigmatização e descredibilização do trabalho jornalístico e servem de impulso para formas de violência ainda mais graves que têm se multiplicado no último período”, concluiu a Abraji no texto divulgado na noite desta quarta.

 

Além das entidades, deputadas federais também reagiram em suas redes sociais às declarações. Para as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o conteúdo divulgado por Figueiredo incentiva o ódio contra as mulheres e reforça a necessidade de aprovação do PL da Misoginia.

Durigan discute com Lula aperto no arcabouço em 4º mandato e novos gatilhos para restringir despesas

  • Por Adriana Fernandes, Guilher Pimenta e Bruno Boghossian | Folhapress
  • 30 Jul 2026
  • 10:09h

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, discute com o presidente Lula (PT) uma proposta de aperto nas regras do arcabouço fiscal para um eventual quarto mandato, com uma redução do teto anual para o crescimento de despesas dos atuais 2,5% para 1,5%.

 

O plano em avaliação inclui a criação de novos gatilhos, mais restritivos, para controlar o crescimento de algumas despesas obrigatórias.
 

A sinalização das propostas foi dada pelo ministro em conversas, na semana passada, com representantes de três grandes instituições financeiras do mercado financeiro, de acordo com pessoas a par das discussões ouvidas pela Folha na condição de anonimato.
 

Hoje, já existe um gatilho que restringe o crescimento real do gasto com pessoal a 0,6% dois anos após o governo registrar um déficit primário. Uma medida estudada pela campanha à reeleição é repetir esse dispositivo para outras despesas obrigatórias. O governo também conseguiu em 2024 restringir a correção do salário mínimo aos limites do arcabouço fiscal.
 

Durigan foi escalado pela campanha do presidente como porta-voz do programa econômico da candidatura à reeleição de Lula.
 

O aperto da regra seria um sinal positivo de compromisso com o processo de consolidação fiscal, melhora dos resultados primários e redução da trajetória de crescimento da dívida pública.
 

Na avaliação desses integrantes da equipe econômica, um teto mais restritivo auxiliaria na contenção das despesas obrigatórias, sobretudo as vinculadas ao salário mínimo, como os benefícios previdenciários e assistenciais, hoje as maiores pressões no orçamento da União.
 

Como esses gastos consomem uma parcela crescente do Orçamento, um limite menor para a expansão das despesas reduziria a margem para acomodá-los e seria um bom vetor para a redução da dívida pública.
 

Embora Lula ainda não tenha indicado publicamente que o ministro será o responsável pela interlocução econômica na campanha à reeleição, ele já recebeu o respaldo de petistas influentes, como o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente do PT, Edinho Silva.
 

Durigan não abriu uma proposta concreta das mudanças para os integrantes das três instituições financeiras, mas buscou sinalizar o compromisso em conter o avanço de gasto obrigatório nas próximas eleições como programa de governo, em caso de vitória do presidente Lula.
 

As conversas sobre economia também têm sido feitas com lideranças de partidos políticos, já que qualquer mudança na regra fiscal depende do Congresso.
 

O ministro vem apontando nessas reuniões que para atingir a trajetória de superávit das contas públicas traçada no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, encaminhado em abril ao Congresso, será preciso reduzir o crescimento do gasto obrigatório, e uma das formas de fazer isso é revisando o arcabouço fiscal.
 

Há uma queixa no governo de que integrantes do mercado têm orientado a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) a não entrar em pontos específicos e, ao mesmo tempo, vêm pressionando a campanha do Lula para se comprometer com uma proposta específica.
 

Durigan reconheceu nessas reuniões que o crescimento das despesas obrigatórias tem esmagado o gastos discricionários (custeio da máquina e investimentos) no Orçamento da União e que Lula aceitou reduzir os gastos obrigatórios para continuar no esforço de consolidação fiscal.
 

As conversas do ministro com a Faria Lima têm se intensificado depois que falas do coordenador-geral do programa de governo da campanha de reeleição, Sérgio Gabrielli, a representantes da Faria Lima terem provocado ruídos no mercado. O episódio ficou conhecido como "efeito Gabrielli" por ter aumentado as incertezas com um eventual governo Lula e impactado a curva de juros futuros de longo prazo.
 

Segundo relatos, o ministro disse nas conversas que não adianta dizer ao mercado que vai ter uma nova regra duríssima, um novo teto de gastos que eles sonham, porque isso não vai acontecer. Ele, inclusive, ponderou que o próprio Flávio Bolsonaro não vai propor isso na campanha.
 

Outra proposta que tem sido dita nas conversas com o mercado financeiro é a insistência do governo no fim da isenção dos títulos incentivados, como LCI e LCA. O ministro tem relatado que a proposta continua na sua mesa e que, embora o Congresso não tenha aceitado essa proposta em 2025, a equipe econômica deverá reapresentá-la.
 

Além disso, o governo tem dito que o aumento da produtividade na economia também será pauta de campanha do presidente.

Justiça obriga prefeitura de Conquista a concluir plano de saneamento básico

  • Bahia Notícias
  • 30 Jul 2026
  • 08:12h

Foto: Divulgação / Prefeitura de Vitória da Conquista

A prefeitura de Vitória da Conquista, no Sudoeste, foi obrigada pela Justiça a concluir a elaboração e encaminhar à Câmara de Vereadores um Projeto de Lei do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB).

 

A decisão, informada nesta quarta-feira (29), atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que apontou a omissão da administração municipal na finalização do processo. O prazo para a iniciativa é de até 180 dias.

 

Ajuizada pela promotora Karina Cherubini, a ação aponta que, embora as etapas técnicas para a elaboração do plano tenham sido realizadas, o Município permanece sem concluir o PMSB desde 2020 e não encaminhou o projeto de lei para apreciação do Poder Legislativo.

 

Segundo a promotora, a prefeitura contratou, em 2019, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para elaborar os estudos técnicos que serviriam de base ao plano. Os trabalhos foram concluídos e disponibilizados para consulta pública em 2020.

 

No entanto, o Executivo municipal não encaminhou o projeto de lei à Câmara de Vereadores, impedindo a formalização do instrumento de planejamento previsto na legislação. Além de concluir o plano e submetê-lo ao Legislativo, a sentença determina que o Município promova ampla divulgação do PMSB e de todos os estudos que o fundamentam, disponibilizando de forma integral o conteúdo na internet, especialmente no site oficial da prefeitura.

 

A decisão judicial também estabelece que, após a publicação da lei que instituir o Plano Municipal de Saneamento Básico, o Município deverá comunicar a conclusão e conteúdo do mesmo à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), no prazo de até 30 dias, para inserção das informações no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).

 

Outro ponto da sentença obriga a administração municipal a selecionar e delegar, em até 180 dias, a regulação dos serviços públicos de saneamento básico a uma entidade reguladora e fiscalizadora qualificada, em conformidade com as normas de referência estabelecidas pela ANA.

 

Ainda na ação, a promotora de Justiça Karina Cherubini argumentou que a ausência do Plano Municipal de Saneamento Básico compromete o acesso do município a recursos federais, afeta a validade de contratos relacionados aos serviços de saneamento e prejudica a proteção ao meio ambiente e à saúde pública.

Prévia da inflação fica negativa em Salvador e recua 0,10% em julho

  • Bahia Notícias
  • 29 Jul 2026
  • 18:09h

Foto: Valter Pontes / Secom PMS

Salvador registrou queda de 0,10% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). O dado, que funciona como uma prévia da inflação oficial, ficou abaixo da média nacional, que foi de 0,06%, e colocou a capital baiana entre as cidades com variação negativa no período. A cidade também acumula inflação de 3,73% em 2026 e de 4,25% nos últimos 12 meses.

 

No país, a desaceleração foi puxada principalmente pela queda de 0,66% no grupo Alimentação e bebidas. Já Habitação teve a maior alta (0,97%), influenciada pelo aumento de 3,03% na energia elétrica residencial. Entre os produtos que mais ficaram baratos em julho estão o tomate (-19,95%), a batata-inglesa (-10,03%) e o café moído (-3,13%).

 

Em contrapartida, a passagem aérea subiu 11,70%, enquanto os combustíveis tiveram queda média de 0,90%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 do Brasil chegou a 4,52%, abaixo dos 4,80% registrados até junho.

Governo Lula prorrogará Desenrola Brasil 2.0 em meio a melhora na avaliação de governo

  • Por Guilherme Pimenta I Folhapress
  • 29 Jul 2026
  • 16:17h

Foto: Divulgação

O governo Lula vai renovar o programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil 2.0 por pelo menos mais 30 dias.

 

Uma das apostas do governo para alavancar a popularidade do presidente no ano eleitoral, o programa tem data de encerramento no dia 3 de agosto. A informação foi divulgada pelo O Globo e confirmada pela Folha.
 

Segundo um integrante da equipe econômica, a renovação deve ser, inicialmente, por 30 dias, mas o prazo pode ser ampliado. Pesquisa Quaest divulgada em julho mostrou que o programa tem auxiliado na melhora da aprovação do presidente.
 

Na ocasião, 55% dos entrevistados afirmaram que o programa era positivo. Em maio, o número estava em 50%.
 

O último balanço do Ministério da Fazenda aponta que até o dia 23 foram renegociados R$ 22 bilhões em dívidas, com 3,6 milhões de operações.
 

O Desenrola 2.0 tem como alvo os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos por mês. Para renegociar as dívidas, é preciso ter débitos em atraso até 31 de janeiro de 2026, com pendências entre 90 dias e dois anos.
 

São aceitas para negociações as modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Casos de hepatites B e C crescem na Bahia, apesar de queda histórica da doença

  • Por Victor Hernandes I Bahia Notícias
  • 29 Jul 2026
  • 14:54h

Foto: Arquivo Agência Brasil

Os casos de hepatites na Bahia registraram diferentes números nos últimos anos. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, a hepatite B, por exemplo, apresentou crescimento moderado ao longo da série. Os casos passaram de 588 (3,9/100 mil habitantes) em 2021 para 820 (5,5/100 mil habitantes) em 2025, representando uma crescente de aproximadamente 39,5% nos casos e 41,0% na taxa de detecção. 

 

Já a hepatite C apresentou tendência consistente de aumento durante todo o período analisado. O número de casos evoluiu de 595 (4,0/100 mil habitantes) em 2021 para 943 (6,3/100 mil habitantes) em 2025, um crescimento de aproximadamente 58,5% nos casos e 57,5% na taxa de detecção. 

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, a médica hematologista e coordenadora do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (Cedap) unidade fígado, Delvone Almeida, explicou que de forma geral, o cenário das hepatites virais na Bahia diminuiu na comparação com décadas anteriores. 

 

“O panorama vem caindo bastante em relação a hepatite B e C, mas ainda se tem casos de crescimento. No entanto, o número tem caído bastante. Já tivemos no passado, no mundo inteiro, 160 milhões de portadores de hepatites. Hoje falamos de 58 milhões. Isso também se traduz em dados locais”, explicou ao BN. 

 

No entanto, segundo a médica, foi registrado uma crescente em algumas regiões do estado, a exemplo da Região Metropolitana e Extremo Sul da Bahia. 

 

“A macrorregião leste e a capital ainda predominam os casos. Temos alguns dados de aumento também no Extremo Sul. A gente sabe que tem muitos casos que não são notificados. Com isso, é difícil revelar o contexto em toda sua extensão”, apontou.

MP-BA pede nova eleição para presidente da Câmara de cidade da Chapada por 3° mandato seguido de vereador

  • Bahia Notícias
  • 29 Jul 2026
  • 12:32h

Foto: Reprodução / Câmara Municipal de Iraquara

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recomendou à Câmara Municipal de Iraquara a anulação da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2025/2026. A medida foi adotada após a constatação de uma terceira recondução consecutiva à presidência da Casa de Suede de Jesus Neves Filho (PCdoB).

 

Segundo o MP-BA, o prolongamento do mandato de Suede, como o edil é conhecido, é incompatível com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). A recomendação foi expedida na última segunda-feira (27) pelo promotor Lucas Peixoto Valente.

 

O documento também orienta que a Câmara realize uma nova eleição para a Mesa Diretora no prazo de cinco dias úteis, ou seja, até a próxima segunda-feira (3).

 

Ainda de acordo com o Ministério Público, documentos requisitados pelo MP-BA à Câmara Municipal confirmaram que o atual presidente ocupou o cargo nos biênios 2021/2022, 2023/2024 e 2025/2026.

 

"O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.674/MT, firmou entendimento de que é permitida apenas uma única recondução sucessiva para o mesmo cargo na mesa diretora das Casas Legislativas", declarou o promotor de Justiça.

 

Na recomendação, o MP-BA também orienta que, na realização do novo pleito, sejam aceitas para o cargo de presidente apenas candidaturas de vereadores que não tenham exercido a presidência da Câmara nos dois mandatos consecutivos imediatamente anteriores. Suede foi o vereador mais votado em Iraquara na última eleição municipal, em 2024. 

Governo derruba 937 perfis de influencers por anúncio irregular de bets e acha logo em uniforme infantil

  • Por Pedro S. Teixeira | Folhapress
  • 29 Jul 2026
  • 10:14h

Foto: Agência Brasil

O Ministério da Fazenda removeu, entre janeiro de 2025 e junho deste ano, 937 páginas de influenciadores que desrespeitaram as regras de aposta online, mostra resposta a pedidos de acesso à informação.

 

Desse total, 803 perfis fizeram publicidade para plataformas clandestinas e os outros 134 violaram as determinações legais para o setor. Parte dos dados foi obtida pela instituição de pagamento Pay4Fun. Entre os processos de fiscalização contra bets autorizadas há dois casos de exibição de logos de bets em uniformes esportivos infantis.
 

A legislação brasileira permite apenas que operadores autorizados, que pagaram uma licença de R$ 30 milhões além de taxas e impostos, divulguem apostas esportivas e caça-níqueis online. Os anúncios têm obrigações de transparência, identificação publicitária, proteção de menores e alertas do risco de dependência.
 

A operação das bets ilegais tem fôlego curto, uma vez que a Fazenda, em parceria com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), derruba milhares de sites todos os meses e depende de contratos com influenciadores locais.
 

Apesar de o governo ter derrubado mais de 50 mil páginas da web desde 2025, o mercado ilegal continua ativo graças à facilidade de subir o mesmo serviço em outro endereço -o setor de apostas estima que é possível levantar uma bet clandestina com R$ 10 mil de investimento. As campanhas ocorrem em redes abertas como o Instagram e em aplicativos de mensagem como WhatsApp e Telegram.
 

A Fazenda ainda removeu 243 aplicativos de bets ilegais neste ano, quando as principais lojas de aplicativo, de Google e Apple, passaram a permitir a distribuição de aplicativos de jogos de azar.
 

No mercado legal, a Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada à Fazenda, abriu 86 processos de monitoramento relacionados à atuação de influenciadores digitais e publicidade em meios eletrônicos, que resultaram em cinco processos administrativos, que já culminaram em três multas. As punições somam quase R$ 4 milhões.
 

A primeira multa, de R$ 596.304, foi aplicada ainda em 2025 contra a antiga plataforma de apostas online de Deolane Bezerra, a ZeroUmBet. Hoje, a empresa é comandada por um dono de bar piauiense. A empresa exibia no site e em anúncios nas redes sociais que tinha autorização do ministério, apesar de operar em razão de determinação judicial.
 

A multa inicial foi fixada em R$ 1.192.608 -uma taxa de 1,5% sobre o faturamento projetado já com dedução de impostos de R$ 774 milhões da bet. Após recurso, a Subsecretaria de Ação Sancionadora reconsiderou a decisão para reconhecer atenuantes, como a primariedade da empresa e o reduzido dano a apostadores, reduzindo a multa pela metade.
 

A ZeroUmBet, então, contestou a validade da punição. A casa de apostas disse que o erro não foi intencional e partiu de uma interpretação tecnicamente imprecisa de que a liminar judicial supria a autorização administrativa, embora nunca tenha concluído o cadastro ou pago os R$ 30 milhões cobrados pelo governo.
 

A segunda multa aplicada foi de R$ 919.626,73 e está na fase recursal, mas a pasta não detalhou qual foi o alvo dessa ação sancionadora. A pasta não detalhou qual foi o alvo dessa ação sancionadora.
 

A punição mais recente foi a multa de R$ 2,3 milhões contra a Blaze, por exibir anúncios em um canal de YouTube com participação de adolescentes nas cenas -ainda cabe recurso. O conglomerado que controla a bet, Foggo Entertainment, diz que não comenta processos judiciais em andamento. A defesa do influenciador João Caetano, que veiculou os anúncios, diz que busca esclarecer os fatos nos tribunais.
 

Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, também foram instaurados 102 processos de fiscalização contra 48 operadores, destinados à apuração de indícios de irregularidades em temas como autoexclusão de apostadores, prevenção da participação de menores de idade, ludopatia, publicidade, cadastro de usuários e outros mecanismos de proteção ao jogador.
 

Só no tema da proteção de crianças e adolescentes, foram instaurados 46 processos de fiscalização. A maioria das violações é sobre oferta de apostas sobre campeonatos de categorias de base -há processos, por exemplo, contra prognósticos sobre jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Ainda houve novos processos de fiscalização contra cadastro de menores de idade e dois sobre exibição de logo de bets em uniformes usados por crianças.
 

A Fla.bet.br, uma marca da antiga patrocinadora do Flamengo Pixbet, também foi alvo de uma advertência por ofertar apostas sobre as eleições do Canadá, o desfecho do Conclave de 2025 e o ganhador da competição europeia de música Eurovision.
 

"Os resultados obtidos demonstram a efetividade das medidas adotadas para a remoção, indisponibilização e restrição de acesso a conteúdo e serviços em desacordo com a regulamentação aplicável", diz a Fazenda em resposta ao pedido de acesso à informação.

Lula diz que desembargador que governa interinamente o Rio de Janeiro foi um "milagre da política"

  • Por Edu Mota, de Brasília - Via Bahia Notícias
  • 29 Jul 2026
  • 08:18h

Foto: Reprodução Instagram Lula

Durante discurso na abertura da 78ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu na noite desta terça-feira (28) em Niterói (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a atuação do desembargador Ricardo Couto à frente do governo do Rio de Janeiro representa um “milagre da política”. 

 

“Uma coisa importante acabou de acontecer. Uma fala do nosso governador. Ele veio aqui na simplicidade de um desembargador. Nunca tinha passado pela cabeça dele ser governador. Vocês o aplaudiram pelo gesto dele de dizer que não era político. Ele não está governando porque votaram nele pela promessa de investimento na ciência. Vocês o aplaudiram porque sabem que ele pode fazer como governador provisório aquilo que nenhum eleito seria capaz. Esse é o milagre da política. É o improvável acontecer na vida da gente”, disse Lula.

 

Ricardo Couto, que é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assumiu interinamente o governo do estado no mês de março, após a renúncia do governador Cláudio Castro. Como o vice-governador Thiago Pampolha havia renunciado e o presidente da Assembleia Legislativa foi afastado do cargo por decisão judicial, coube a Ricardo Couto assumir o governo.

 

No mês de abril, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa, mas uma ação no Supremo Tribunal (STF) sobre a necessidade de eleição direta ou indireta para substituir Cláudio Castro impediu a sua posse como governador. O STF deve decidir em agosto como será a eleição para o governo, e a possibilidade mais forte é que os ministros optem por votação direta, que aconteceria no pleito de outubro.

 

Desde que entrou no cargo, Ricardo Couto promoveu uma série de demissões de funcionários fantasmas, além de medidas fortes de corte de gastos e redução de contratos. A gestão do desembargador à frente do governo vem gerando resposta positiva da população, com pesquisas mostrando aprovação maior do que tinha o governador Cláudio Castro.

 

No evento desta terça, além de elogiar o desempenho do governador interino, o presidente Lula alfinetou adversários na disputa eleitoral nacional, comparando-os com Ricardo Couto:

 

“Muitos governadores eleitos não teriam coragem de vir a uma SBPC. Muitos candidatos a presidentes e governadores também”, afirmou Lula, que completou: “Quando, no século XXI, aparece alguém achando que a solução para a educação no país é a escola cívico-militar, alguma coisa está errada. É a supremacia da ignorância tentando vencer o pensamento da maioria da sociedade”.

 

O desembargador Ricardo Couto, por sua vez, ressaltou a importância de investimento na ciência e se disse “testemunha” dos esforços do governo Lula na área social.

 

“A cada vinda de Lula ao Rio nós temos um momento de alegria, simbolizado pelo investimento no (campo) social. Chegou um momento que não podemos mais ter muros. Precisamos ter pontes para o saber. Ao investir na educação teremos reflexos na saúde e na segurança. Todos nós devemos refletir muito no momento de exercer a cidadania”, disse o governador interino.

 

Também estiveram no evento do SBPC os ministros Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Leonardo Barquini (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde), além do prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT).

Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços

  • Bahia Notícias
  • 28 Jul 2026
  • 18:11h

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram os menores níveis globais em 2025, apontam relatórios divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids).

 

No entanto, a organização alerta que este avanço está ameaçado pela queda do financiamento para ações de prevenção e tratamento.  

 

Em todo o mundo foram registradas 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV, o que representa uma redução de cerca de 40% desde 2010. Já o número de mortes por aids no ano passado chegou a 570 mil.

 

Por outro lado, cresceu o número de novos casos em 21 países e três regiões do mundo. O Brasil está entre esses países, e, segundo a Unaids, aumentou o acesso a remédios de prevenção em 41% em resposta a esse aumento.

 

O relatório foi divulgado antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, que começou nesta segunda-feira (27) no Rio de Janeiro. Esta é a primeira edição da conferência no Brasil.

 

FIM DA PANDEMIA DE AIDS

A diretora-executiva da Unaids Winnie Byanyima ressaltou a Agência Brasil que o fim da epidemia de aids já não é mais apenas uma aspiração, e, sim, um feito alcançável, graças às inovações científicas, especialmente a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses. 

 

“Essa é uma das maiores oportunidades que nós temos de acabar com a epidemia. Mas avanços científicos isolados não vão acabar com a aids. Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça. Esses medicamentos continuam fora de alcance para a maioria das pessoas que precisam deles”, enfatizou.

 

A Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que o mundo consiga alcançar a nova meta de acabar com a aids como ameaça de saúde pública até 2030. O compromisso foi firmado pelos países-membros das Nações Unidas há algumas semanas. 

 

“Isso significa preços acessíveis, competição via genéricos, fabricação regional, transferência de tecnologia, rápida introdução dentro dos programas nacionais”, ressalvou Winnie. 

 

“A ciência fez o seu trabalho, agora, a política precisa fazer o dela. A pergunta não é mais se a gente consegue acabar com a aids, e, sim, se nós escolheremos acabar com a aids. Se isso for realmente implementado, podemos prevenir 3,2 milhões de novas infecções, e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids”, complementou a diretora-geral da Unaids.

 

O primeiro passo para isso é a recomposição dos investimentos globais no tratamento e na prevenção do HIV, defende o programa das Nações Unidas. 

 

Os recursos do principal programa de assistência aos países de baixa renda, o Overseas Development Assistance (ODA) caíram 23% em 2025, afetando fortemente os programas de HIV. Alguns países africanos dependem desses recursos para mais de 90% das ações relacionadas à epidemia.

 

Isso impacta a oferta de novas tecnologias de prevenção, mas também o tratamento de pessoas já infectadas. Em 2025, uma a cada cinco pessoas vivendo com HIV no mundo não estava em tratamento, proporção que sobe para quase metade entre as crianças.

 

ESTIGMATIZAÇÃO

Outro aspecto destacado pela Unaids é o recrudescimento da discriminacão contra pessoas LGBTI+ e populações vulneráveis, como trabalhadores sexuais e usuários de entorpecentes. Pela primeira vez, a criminalização de pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo aumentou em 2025 ao invés de diminuir, chegando a 66 países.

 

A organização também identificou 14 países que criminalizam pessoas trans, além de 168 países onde diferentes aspectos do trabalho sexual são proibidos, e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas.

 

“Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação, o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta ao HIV” destacou a diretora-executiva da Unaids. 

WhatsApp Web terá ligações de video e compartilhamento de tela a partir desta terça

  • Por Folhapress via Bahia Notícias
  • 28 Jul 2026
  • 16:13h

Foto: Reprodução / Freepik

O WhatsApp anunciou nesta terça-feira (28) a habilitação de chamadas de vídeo pelo WhatsApp Web --modalidade do aplicativo de mensagem usada em computadores e navegadores. Segundo a empresa, a nova funcionalidade inclui compartilhamento de tela, reações e histórico de chamadas.

 

Assim como na versão para celular, as ligações pelo navegador são criptografadas de ponta a ponta, sem limite de tempo e não geram custo aos usuários. Recursos técnicos, como a disponibilidade de alta definição para video e supressão de ruído para áudio fazem parte da atualização. As novas ferramentas serão disponibilizadas de forma gradual.
 

Conforme a publicação no site do WhatsApp, é possível começar uma chamada em um dispositivo móvel e transferi-la para o computador sem que haja desconexão. Iniciar a chamada no computador e transferir para o celular ou tablet também é uma opção.
 

Também está entre as novidades a possibilidade de restringir a entrada de pessoas em uma chamada, ou condicioná-la à aprovação do administrador da ligação, presente em plataformas como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams.
 

Em 22 de julho, o aplicativo anunciou o fim da exigência de conexão com o celular para uso do WhatsApp via iPad. Agora, os usuários podem criar contas diretamente no tablet da Apple.
 

As versões do app usadas em sistemas automotivos, como Android Auto e CarPlay (compatível com iPhone), também foram atualizadas. Motoristas podem ver e responder mensagens; acessar contatos e gerir ligações por comandos de voz.

Governo Lula vai à OMC contra tarifaço imposto pelos EUA

  • Por Isadora Albernaz | Folhapress via Bahia Notícias
  • 28 Jul 2026
  • 14:41h

Tomaz Silva / Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a acionar nesta segunda-feira (27) a OMC (Organização Mundial do Comércio) após a administração Donald Trump confirmar um tarifaço que pode chegar a até 37,5% sobre alguns produtos brasileiros.

 

A decisão de apresentar um pedido de consulta aos Estados Unidos foi comunicada em nota pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Trata-se da primeira etapa do processo na organização.
 

A gestão petista contesta tanto a taxa de 25%, aplicada com base em uma investigação por práticas do Brasil consideradas desleais no comércio com os Estados Unidos, anunciada em 15 de julho, como também à tarifa de 12,5%, com base em apuração sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso de trabalho forçado. Essa última foi anunciada na quinta (23).
 

A disputa na OMC, porém, não deve ter efeitos práticos. Desde 2019, a implementação de decisões não é obrigatória pelos países-membros.
 

"O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC", diz a nota do Itamaraty.
 

As duas taxas entraram em vigor neste mês. O governo brasileiro estima que 16,5% das exportações brasileiras aos EUA são alcançadas simultaneamente por elas. É o caso de produtos como máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
 

Como mostrou a Folha, já era esperada a abertura de uma nova disputa com os EUA na OMC por parte do governo Lula.
 

Segundo apurou a reportagem, membros da gestão petista avaliam que o procedimento aberto em agosto do ano passado, quando o Brasil foi atingido por uma sobretaxa de 50%, não poderia ser reaproveitado porque os objetos das consultas são diferentes.
 

Na época, os americanos chegaram a aceitar o pedido de consultas feito pelo Brasil, mas afirmaram que as queixas eram temas de segurança nacional e, portanto, não estavam sujeitas à revisão da entidade.
 

Agora, com a nova medida, as autoridades brasileiras buscam evitar qualquer questionamento jurídico que invalide a ação.
 

Na última semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo Lula não pretende retaliar os Estados Unidos pelo tarifaço, apesar das críticas à decisão.
 

"A ideia não é retaliação. Não é. Dizem que [no] olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos. A reciprocidade é [dizer] ‘estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso’. Temos instrumentos para fazê-los, no momento oportuno, da forma adequada", disse.
 

Em comunicados oficiais, a gestão petista disse que iria "imediatamente" iniciar os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade contra os EUA
 

Apesar disso, a equipe econômica de Lula adotou um tom diferente em relação à possibilidade de acionar os mecanismos da lei aprovada pelo Congresso Nacional, após setores da economia afetados pedirem ao governo negociações que tentassem reverter as taxas sem recorrer a medidas de reciprocidade.
 

Caso fosse acionada a lei, que permite que um país adote medidas recíprocas (sejam elas econômicas, diplomáticas e outras), alguns produtos e setores importantes para o comércio brasileiro poderiam acabar prejudicados.
 

ENTENDA O PASSO A PASSO NA OMC
 

Se as consultas não resolverem a disputa, o demandante –no caso o Brasil– pode pedir a instauração de uma segunda etapa: um painel.
 

As partes formam os painéis com três membros, escolhidos em comum acordo. Os dois países apresentam petições escritas e participam de audiências. O painel emite um relatório sobre as medidas em contestação e sua compatibilidade com acordos da OMC.
 

O prazo teórico para a apresentação desse relatório é de até seis meses, prorrogáveis por mais três. Na prática, a fase de painel tem durado cerca de 12 meses —a não ser em casos de maior complexidade, que podem se arrastar por até cinco anos.
 

O país derrotado pode entrar com recurso, dando início a uma terceira e última etapa: uma contestação no Órgão de Apelação. O colegiado pode manter, modificar ou reverter as conclusões de um painel, e a decisão é de implementação obrigatória pelos países-membros. O problema é que essa última instância está paralisada desde 2019.

Família de advogada morta na Bahia foi vítima de extorsão antes do homicídio em Itororó

  • Bahia Notícias
  • 28 Jul 2026
  • 12:12h

Foto: Reprodução / Arquivo

A família da advogada Cláudia Félix de Oliveira, de 51 anos, foi alvo de extorsão antes de ela ser assassinada a tiros dentro de sua casa em Itororó, no Médio Sudoeste da Bahia. O crime ocorreu na madrugada deste domingo (25). Os suspeitos chegaram a obrigar a família a transferir dois veículos como forma de pagamento.

 

De acordo com a apuração da TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia, as investigações indicaram que um grupo de pessoas ameaçava os familiares da vítima para cobrar uma dívida atribuída a um parente dela. Antes do assassinato, os familiares registraram boletim de ocorrência por extorsão na Delegacia Territorial (DT) de Itabuna.

 

A dimensão do monitoramento prévio ao crime também foi revelada pelas investigações. Imagens de câmeras de segurança comprovaram que os criminosos vigiaram a residência da advogada nos dias anteriores ao assassinato, segundo informações repassadas pela delegacia local.

 

RELEMBRE O CASO
Ainda durante a madrugada deste domingo (25), pouco antes de os suspeitos invadirem o imóvel, Cláudia ligou para a Polícia Militar. Homens armados entraram na casa e efetuaram diversos disparos contra ela. A advogada morreu no local. Após o ataque, os suspeitos fugiram. Equipes das polícias Militar e Civil estiveram na residência.

 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito. O corpo foi sepultado na manhã de segunda-feira (26) no Cemitério Municipal Recanto da Saudade, no distrito de Bandeira do Colônia, em Itapetinga.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) e a Subseção de Itapetinga classificaram o caso como um "bárbaro homicídio" e informaram que acompanhariam as investigações. A entidade solicitou ainda celeridade na apuração junto à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.

Governo Lula teme interferência externa nas redes após ofensiva de Trump e Milei a favor de Flávio

  • Por Caio Spechoto, Catia Seabra e Mariana Brasil | Folhapress
  • 28 Jul 2026
  • 10:06h

Foto: Agência Brasil / The White House

Integrantes do governo e da coordenação da pré-campanha do presidente Lula (PT) interpretaram a recente ofensiva dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) como tentativas de interferência estrangeira na eleição brasileira e temem que as investidas se tornem mais intensas às vésperas da votação.

 

A preocupação é principalmente com os três ou quatro dias anteriores à eleição, marcada para 4 de outubro, e com as redes sociais, devido à pressão de Trump sobre grandes empresas de tecnologia —o X (ex-Twitter) de Elon Musk e a plataforma Rumble já tiveram atuação questionada nos últimos anos.
 

Aliados de Lula dizem apostar em uma iniciativa preventiva do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para coibir ferramentas de inteligência artificial na campanha, mas a avaliação desse grupo político é de que não haveria como evitar uma ação articulada.
 

Em conversas reservadas com aliados nas últimas semanas, Lula relatou avaliar o atual contexto eleitoral como diferente de outros que já enfrentou por causa das possibilidades de intervenção estrangeira.
 

Os embates foram acirrados desde a atuação do argentino na convenção do PL no último sábado (25) que escolheu Flávio como candidato à Presidência.
 

Nesta segunda (27), questionado por jornalistas, Lula evitou embate direto, mas ironizou Milei. "Quem é esse cara?", respondeu. O presidente da Argentina, por sua vez, compartilhou uma série de posts nas redes sociais com críticas ao petista.
 

Ainda nesta segunda, o governo chinês afirmou que apoia os esforços do Brasil para preservar soberania e independência e se opor a "interferência externa". A manifestação veio depois de um telefonema entre Lula e o presidente chinês, Xi Jinping.
 

No sábado, Milei manifestou apoio a Flávio, que, segundo ele, pode "parar Lula". Em seu discurso, também chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo careca". O magistrado não permitiu que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar cumprindo pena por tentativa de golpe.
 

As falas de Milei geraram uma crise entre os países. Em uma frente, Lula chamou de volta o embaixador brasileiro na Argentina, uma atitude considerada radical na diplomacia. Em outra, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) reuniu-se com o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, e expressou "repulsa" ao que classificou de "impropérios" de Milei.
 

Também na convenção, o PL exibiu um vídeo feito por ferramentas de inteligência artificial de Jair Bolsonaro. Na peça, o ex-presidente em formato de IA disse que Flávio é seu sucessor.
 

A exibição do material foi vista por aliados de Lula como um sinal de que a campanha bolsonarista testa os limites das regras eleitorais, uma vez que Jair Bolsonaro não pode aparecer em redes sociais por decisão judicial.
 

No dia anterior, sexta-feira (24), o jornal americano The Washington Post revelou que Donald Trump planejava enviar auxiliares ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral do país. O Itamaraty negou vistos aos dois funcionários do governo Trump.
 

O governo petista monitora a proximidade de integrantes da família Bolsonaro com o governo Trump. O presidente dos Estados Unidos recebeu Flávio Bolsonaro para uma reunião na Casa Branca. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro defende os interesses de seu grupo político principalmente junto ao Departamento de Estado americano.
 

No início de junho, o governo Trump classificou as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas, em uma ideia que mobiliza a base política bolsonarista.
 

Na época, o Planalto ainda minimizava possibilidades de intervenção de Donald Trump nas eleições brasileiras. Apesar disso, as autoridades não descartavam a chance de que isso ocorresse devido à imprevisibilidade do governo americano e à sequência de ataques num período de um ano.
 

Além disso, no ano passado, o governo americano citou o julgamento que condenaria Jair Bolsonaro por tentativa de golpe como um dos motivos para a aplicação de sanções econômicas ao Brasil, o primeiro tarifaço. A medida animou forças políticas de direita na época, mas depois passou a causar desgaste ao grupo político de Bolsonaro.

Brasileiros com mais de 60 anos são os mais engajados nas eleições, aponta pesquisa

  • Bahia Notícias
  • 28 Jul 2026
  • 08:11h

Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

A maior taxa de engajamento nas eleições é registrada entre os brasileiros com mais de 60 anos, faixa em que 60% afirmam ter muito interesse na eleição presidencial de outubro. O percentual está nove pontos acima da média nacional, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27). No conjunto do eleitorado, 51% dizem ter muito interesse no pleito, enquanto 25% declaram ter um interesse razoável. Os 24% restantes somam os que declaram ter pouco ou nenhum interesse, ou não souberam responder.

 

O menor índice de engajamento intenso foi registrado entre os eleitores de 25 a 40 anos, faixa em que 43% afirmam ter muito interesse nas eleições. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, o percentual é ligeiramente maior, de 45%. Embora o interesse máximo seja inferior ao observado entre os eleitores mais velhos, os jovens apresentaram o menor índice de desinteresse, apenas 7% afirmam não ter nenhum interesse nas eleições para presidente.

 

"Os dados indicam que o engajamento político consolidado cresce com a maturidade do eleitor, atingindo seu ápice entre a população idosa. Por outro lado, o eleitorado jovem não se mostra indiferente às eleições, mas sim cauteloso. Embora registre um interesse mais moderado neste momento, com 35% classificando seu interesse como razoável, é a faixa etária que apresenta a menor taxa de desinteresse absoluto, o que aponta para uma margem expressiva de mobilização ao longo da campanha eleitoral", analisou o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

 

A pesquisa, realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou por telefone 2.004 pessoas entre os dias 24 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.