Inscrições para vagas remanescentes do Fies terminam na terça-feira
- Bahia Notícias
- 03 Nov 2026
- 14:12h

Foto: José Cruz/Agência Brasil
As inscrições para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), referentes ao segundo semestre de 2026, estão abertas até o dia 3 de novembro, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para acessar, é preciso fazer login pela conta da plataforma Gov.br.
O programa oferece financiamento para estudantes que desejam cursar o ensino superior em faculdades privadas bem avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC). O Fies cobre as mensalidades do curso e permite que o estudante pague, com condições facilitadas, o valor financiado após a conclusão da graduação.
Nesta edição, as vagas remanescentes destinam-se exclusivamente à contratação do financiamento no segundo semestre letivo deste ano, sem possibilidade de extensão do prazo. Uma das etapas do processo seletivo vai verificar se os candidatos pré-selecionados têm condições de acompanhar as atividades acadêmicas e concluir o semestre com aproveitamento suficiente.
QUEM PODE PARTICIPAR
Para participar, é necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, com média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas de conhecimentos e nota acima de zero na redação. O estudante não pode ter participado do exame como treineiro.
O candidato também precisa ter renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos, de acordo com o edital, que trata da ocupação das vagas.
Na parte acadêmica, o candidato pré-selecionado deve ter condições de cumprir a frequência mínima exigida pela instituição privada de ensino superior neste segundo semestre letivo de 2026.
VAGAS
Ao todo, são 50 mil vagas distribuídas pelo país. O edital reserva 50% dessas vagas remanescentes a candidatos com renda familiar mensal por pessoa de até meio salário mínimo e inscrição atualizada no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). Para essa verificação, serão consideradas as informações cadastrais atualizadas até 8 de outubro de 2026.
Os estudantes pré-selecionados nessa modalidade poderão solicitar financiamento de até 100% dos encargos educacionais, conforme as regras do programa. O resultado da chamada única está previsto para 16 de novembro.
Lula indicará seis diretores do Banco Central até o fim de 2027, e mercado teme mudança de perfil
- Por Adriana Fernandes e Nathalia Garcia | Folhapress
- 03 Nov 2026
- 12:06h

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá indicar mais seis nomes para a diretoria do Banco Central até o fim de 2027. Duas cadeiras estão desocupadas desde janeiro, e mais duas indicações poderão ser feitas até fevereiro do próximo ano. Outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027.
A possibilidade de mudança do perfil do BC e, portanto, do colegiado do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide o rumo dos juros do país, entrou no radar de participantes do mercado financeiro após a vitória do petista nas eleições.
A principal preocupação é com a possibilidade de o BC passar a ser leniente no combate à inflação para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao debate interno no governo sobre qual caminho adotar para a política econômica da gestão Lula 4.
Analistas já esperam a retomada com mais força do debate em torno da flexibilização da meta de inflação —hoje em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A partir de 2028, último ano de mandato do presidente Gabriel Galípolo, os seis novos indicados por Lula vão se tornar maioria no colegiado do BC. O grupo é formado por nove cadeiras, incluindo a do chefe da autoridade monetária.
Restariam do atual colegiado apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além do próprio Galípolo. Os mandatos destes três indicados por Lula terminam em 31 de dezembro de 2028.
A depender do perfil dos novos nomes, esse quadro poderia isolar Galípolo no último ano de sua gestão no BC. O chefe da autarquia tem sido alvo de críticas de integrantes do PT e do governo, inclusive da equipe econômica, que o culpam pela alta da dívida pública em decorrência dos juros elevados.
No terceiro mandato de Lula, houve um racha no Copom que gerou ruídos e levou a questionamentos sobre a credibilidade do BC.
Em 8 de maio de 2024, Galípolo e todos os outros indicados por Lula votaram por uma redução mais acelerada de juros de 0,50 ponto percentual. Pelo placar de 5 votos a 4, prevaleceu o corte menor na Selic, de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.
Depois daquele episódio, todas as decisões do colegiado foram unânimes.
Na semana passada, Lula se reuniu com ministros e falou sobre as indicações de nomes que precisam ser feitas ao Senado para autarquias, o que inclui as duas vagas para o BC represadas há quase um ano.
O rumor envolvendo uma possível indicação ao BC do economista de perfil desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-colunista da Folha, mexeu com os preços do mercado financeiro.
Procurado, Roncaglia disse que ficou surpreso com as reportagens, pois não recebeu qualquer contato da equipe econômica neste sentido e não foi informado de nada. "Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI."
Segundo ele, o fundo reconhece o valor das reformas econômicas empreendidas nos últimos anos e o papel do BC na manutenção da estabilidade da inflação e do sistema financeiro. "Trata-se de um momento excelente na relação do FMI com o Brasil."
Um ex-integrante do BC ouvido pela Folha sob condição de anonimato avalia que Roncaglia causaria turbulência devido ao histórico de ideias do economista. Na visão desse ex-dirigente, o diretor do FMI poderia abalar a credibilidade da autoridade monetária e passaria a mensagem de que Galípolo está enfraquecido.
A incerteza com relação à composição do Copom é vista por parte do mercado financeiro como uma fonte de volatilidade. Há temor de que o governo, crítico da atual política de juros, escolha nomes mais heterodoxos para o colegiado do BC, o que traria um risco significativo para o controle da inflação.
Para economistas ouvidos pela Folha, a escolha de diretores que se mostrem comprometidos com a meta de inflação seria uma sinalização importante para assegurar a credibilidade do BC.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, considera que a autoridade monetária pode virar uma espécie de bode expiatório no próximo ano, caso o governo não dê solução para a questão fiscal e veja sua popularidade cair já na largada da gestão Lula 4.
Nesse contexto, ele diz enxergar uma chance de o governo escolher pessoas que sejam mais maleáveis quanto à inflação. "Outra possibilidade sempre aventada nessa situação é aumentar a meta, que é uma jogada de toalha, a confissão de fracasso. Diria que esse vai ser um ponto de atenção nos próximos meses", diz.
Já Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, diz que Lula sabe que inflação alta significa "falta de popularidade na veia" e deve optar por pessoas com perfil moderadamente conservador, ao estilo de Galípolo e do diretor Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos).
"São pessoas que têm uma visão mais ampla [da economia], mas que entraram [no BC] com esse compromisso fixado de meta em 3%", diz. "Não vejo uma grande modificação no Banco Central. Eu vejo uma manutenção do perfil médio conservador, não ultraconservador como chegou a ser no início do governo, com Roberto Campos Neto [cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2024]."
DIVERSIDADE
A escolha das diretorias também será um teste para o governo na questão da diversidade de gênero. Atualmente, há apenas uma mulher na cúpula do BC, a diretora Izabela Correa. Segundo relatos, a chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro, Carolina Bohrer, conta com a simpatia de Galípolo para assumir um posto na diretoria.
Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, a decisão do presidente sobre os nomes para o BC tem de ser tomada o mais rapidamente possível diante da falta de dois diretores.
"São diretorias importantes. [Levar] quase um ano começa a fazer diferença no trabalho do BC, justamente porque ele é desenhado para ter as nove diretorias. Quando você começa a acumular diretorias, naturalmente começa a faltar braço", afirma Megale.
O diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia diz que a situação econômica no mundo hoje é diferente do que era há dez anos e, por isso, há a necessidade de ter um BC mais conservador, capaz de preservar sua autonomia na política monetária. "Eu não acho que ele [Lula] fará diferente nas próximas nomeações. O Lula é forjado na negociação."
Para a área de Fiscalização, que ficará desocupada a partir de março, dois ex-membros do BC apostam que a vaga será preenchida novamente com um servidor de carreira.
Não se descarta a recondução do atual diretor, Aílton de Aquino, mas há dúvidas com relação ao desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master. O diretor do BC teve de prestar depoimento à Polícia Federal sobre as ações de fiscalização que levaram à liquidação da instituição de Daniel Vorcaro. Internamente há confiança no trabalho dele.
Novas regras do SAC entram em vigor com exigência de atendimento humano diário
- Bahia Notícias
- 03 Nov 2026
- 10:08h

Foto: Reprodução / TV Globo
As novas regras para o funcionamento dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) de empresas com serviços regulados pelo governo federal passaram a valer nesta segunda-feira (2). A principal mudança estabelece a obrigatoriedade de oferta de atendimento humano, via telefone ou chat, diariamente, no período das 8h às 20h.
A medida visa reverter a flexibilização adotada durante a pandemia de covid-19, que havia ampliado o uso exclusivo de ferramentas automatizadas.
Segundo informações divulgadas sobre o decreto do governo federal, publicado em 13 de outubro, as normas aplicam-se a concessionárias de energia, operadoras de telefonia e planos de saúde, companhias aéreas e instituições do setor financeiro, como bancos e fintechs.
O texto normativo fixa ainda a obrigatoriedade de acesso imediato às opções de cancelamento de contratos e limita o atendimento a, no máximo, cinco níveis de navegação para a resolução das demandas.
Além disso, em casos de interrupção nas chamadas telefônicas antes da conclusão do serviço, as empresas ficam obrigadas a retornar o contato com o consumidor no prazo máximo de cinco minutos (300 segundos). Para empresas de serviços não regulados, como plataformas de transporte e entregas por aplicativo, o decreto prevê o envio de informações cadastrais sobre suas estruturas de atendimento aos órgãos governamentais.
Opinião: Oposição no Brasil e na Bahia tem oportunidade de superar e se afastar do bolsonarismo
- Por Fernando Duarte I Bahia Notícias
- 03 Nov 2026
- 08:01h

Foto: Max Haack/ Ag. Haack
A oposição a Luiz Inácio Lula da Silva ainda tenta encontrar formas para a autoanálise necessária após ter sido refém do bolsonarismo no pleito de 2026. No esforço para aproveitar a onda antilulista, o cálculo que levou Flávio Bolsonaro (PL) a ser ungido como candidato do campo democrático à direita foi errado. Tanto que, passadas 48h do segundo turno, o Bolsonaro Similar fugiu e deixou quase 60 milhões de votos órfãos.
Nesse bojo, a oposição na Bahia foi tragada apenas na segunda etapa do pleito. Ainda assim, com consequências ainda não completamente mensuradas. Enquanto apenas bolsonaristas mais radicais faziam campanha para o candidato do PL no primeiro turno, o principal líder da oposição baiana, ACM Neto (União) embarcou no projeto do Bolsonaro Similar quando já não havia muitas opções de caminho. Derrotado pela segunda vez para Jerônimo Rodrigues (PT) - agora para um governador que não estava a reboque do candidato Lula -, o ex-prefeito de Salvador fez uma escolha para ganhar sobrevida eleitoral. Perdeu também.
Diferentemente de 2022, quando submergiu por um bom tempo, agora ACM Neto parece ter percebido que, uma nova ausência, geraria um vácuo de "poder" que poderia tê-lo defenestrado do antagonismo que as urnas lhe deram. Além de ter feito campanha para Flávio, na mesma semana do segundo turno publicou estar "arrumando a casa" para próximas etapas. Não ficou claro exatamente o que ele pretende fazer, porém é sabido que ele terá que lidar com o arranhão na imagem de moderado amplamente construída. Sob o risco de ser engolido pela emergência de uma liderança que simbolize o antipetismo, como ele já o faz, mas também o antibolsonarismo, que ganhou as eleições presidenciais em 2026.
Enquanto tenta se "reaprumar" na Bahia, essa mesma oposição tem, no cenário nacional, a oportunidade de se afastar do golpismo, explicitada com a "carta renúncia" do Bolsonaro Similar. Após ter sido fagocitada pelo bolsonarismo, o que se entende por direita democrática - da qual ACM Neto faz parte - pode retomar o protagonismo perdido desde a chegada de Jair Bolsonaro aos holofotes políticos. É claro que, nesse processo, a marca de adesão a Flávio será reforçada pelo lulopetismo - fortalecido localmente e também nacionalmente.
Por enquanto, já sobram candidatos a ocupar o vácuo do delirante "verdadeiro presidente eleito", cuja função de oposição à distância já foi colocada em xeque pelos próprios aliados. Há quem incense mais uma integrante do clã, Michelle Bolsonaro, ou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Daqui para 2030, há um longo caminho a ser percorrido. Especialmente pela oposição que não terá mais que enfrentar diretamente Lula.
Manobrista morre atropelado por carro conduzido por colega em beach club na Bahia
- Bahia Notícias
- 02 Nov 2026
- 18:03h

Foto: Reprodução / Redes Sociais
Um manobrista de 31 anos morreu após ser atropelado por um carro conduzido por um colega de trabalho no estacionamento de um beach club, em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, no sul da Bahia. O acidente aconteceu na tarde deste domingo (1º). A vítima foi identificada como Yandri Batista Santos.
As informações foram divulgadas pelo portal AratuOn.
De acordo com relato de testemunhas, os dois trabalhavam no estabelecimento e realizavam uma manobra com o veículo do proprietário do local. Yandri estava do lado de fora do carro, auxiliando o colega, quando foi atingido. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Após atingir o manobrista, o veículo continuou descendo uma ladeira, caiu em um riacho e capotou, ficando com as quatro rodas para cima. O motorista ficou preso no automóvel e foi retirado com vida. Uma das suspeitas é de que o motorista tenha se confundido durante a troca de marcha.
A Polícia Civil apura o caso e poderá instaurar inquérito por homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar. O enquadramento dependerá do resultado das investigações e do esclarecimento da dinâmica do acidente. O manobrista morto trabalhava no estabelecimento havia cerca de seis meses.
Flávio Bolsonaro faz primeira aparição pública em culto na Flórida após fuga
- Por Marcos Hermason | Folhapress
- 02 Nov 2026
- 16:19h

Foto: Reprodução / Instagram @celeiroflorida
Derrotado nas eleições presidenciais deste ano, o senador Flávio Bolsonaro fez neste domingo (1º) sua primeira aparição pública desde que fugiu para os EUA. Ele participou de um culto evangélico ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, no estado da Flórida.
O senador, que também estava acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro, participou de um culto na igreja Celeiro, do pastor José Maurício Fernandes, conhecido como Paizão.
Flávio está nos Estados Unidos desde quarta-feira (28). Ele fugiu do Brasil após ser derrotado nas urnas, questionar o resultado das eleições e dizer que pediria a anulação do pleito. Já nos EUA, divulgou carta de teor golpista em que se dizia o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor Paizão se dirige a Flávio durante o culto deste domingo e afirma: "Não ganhou ou perdeu porque com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando".
Flávio Bolsonaro afirmou na sexta (30) que sua fuga não é sinal de fraqueza e voltou a insinuar fraude no resultado das eleições, sem apresentar provas. Ele alegou ter decidido a fuga para os EUA junto à esposa, Fernanda Bolsonaro.
Apesar da narrativa de tom golpista, o senador agradeceu pelos quase 60 milhões de votos que recebeu no último dia 25." Isso [os 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar", disse.
Ao concretizar a fuga para os Estados Unidos, Flávio repete o pai, que foi para os Estados Unidos no final de 2022 sem reconhecer a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como mostrou a Folha de S. Paulo, o senador do PL acabou isolado pelas principais lideranças da direita, que já reconheceram a vitória do petista.
Brumado: Cemitérios ficam repletos de visitantes durante o Dia de Finados
- Milhares de lembranças, saudade e homenagens marcaram o Dia de Finados em Brumado, nesta segunda-feira (2). Os cemitérios Senhor do Bonfim, localizado no centro da cidade, e Santa Inês, situado na saída para Livramento de Nossa Senhora, receberam um grand
- Brumado Urgente
- 02 Nov 2026
- 14:57h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente
Desde as primeiras horas do dia, a movimentação foi intensa nos dois cemitérios, com a presença de pessoas que aproveitaram a data para visitar os túmulos de seus entes queridos, levar flores, acender velas e dedicar momentos de oração e reflexão à memória daqueles que já partiram.
O cenário foi marcado por manifestações de fé, respeito e saudade. Entre os visitantes, famílias inteiras compareceram aos locais para preservar uma tradição que atravessa gerações e mantém viva a lembrança de pessoas que fizeram parte de suas histórias.
No Cemitério Senhor do Bonfim, um dos mais tradicionais de Brumado, a movimentação reuniu moradores que foram homenagear familiares sepultados no local. Já no Cemitério Santa Inês, situado às margens da saída para Livramento de Nossa Senhora, o fluxo de visitantes também foi expressivo ao longo do dia.
Mais do que uma data dedicada à memória dos falecidos, o Dia de Finados representa um momento de reencontro com lembranças, histórias e sentimentos que permanecem vivos, mesmo diante da ausência física de quem partiu.
Em Brumado, a grande presença de visitantes nos dois cemitérios reafirmou a importância da data para a população, em um dia marcado pelo silêncio, pelas orações e, sobretudo, pelas demonstrações de amor e saudade.
Laudo aponta morte súbita de médica gaúcha que faleceu após maratona na Espanha
- Bahia Notícias
- 02 Nov 2026
- 12:19h

Foto: Arquivo pessoal
A autópsia realizada no corpo da médica oftalmologista gaúcha Victoria d'Azevedo Silveira, de 29 anos, que faleceu durante uma viagem à Espanha, apontou "morte súbita" como a causa do óbito. Segundo informações do g1, a médica, natural de Porto Alegre, viajou à Europa acompanhada da mãe e faleceu no último domingo, 25 de outubro.
O laudo pericial foi concluído neste sábado (31) pelas autoridades espanholas, mas a família relata que ainda aguarda esclarecimentos sobre os fatores que desencadearam a parada repentina das funções vitais.
Segundo informações da tia da atleta, Victoria e a mãe viajaram para disputar a Meia Maratona de Valência. Na prova, a atleta amadora conquistou o segundo lugar entre as participantes brasileiras. Após o evento esportivo, Victoria e a mãe seguiram de trem para Barcelona. Na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, a jovem não acordou.
Adepta da corrida há quatro anos e com rotina regular de treinos e exames, Victoria era especialista em glaucoma e filha única. Com o término dos exames periciais no país europeu, os familiares organizam os trâmites burocráticos e têm a expectativa de realizar o traslado do corpo para o Brasil na próxima semana.
Apoio a Trump entre latinos cai às vésperas da eleição para Congresso dos EUA
- Por Mayara Paixão | Folhapress
- 02 Nov 2026
- 10:22h

Foto: Joyce N. Boghosian / The Official White House
Há um conceito nos Estados Unidos muito importante em eleições, como a da próxima terça-feira (3), que renovará o Congresso: os estados-pêndulo. São aqueles que ora votam mais pelos democratas, ora mais pelos republicanos. Desta vez, essa mesma designação tem sido usada para outro setor, o do eleitorado americano.
O eleitor de origem latina no país se tornou o chamado "eleitor-pêndulo". Historicamente, os latinos apoiaram mais os democratas, mas nas últimas eleições eles cresceram seu apoio para os republicanos, o que ajudou, inclusive, na eleição de Donald Trump. Agora, eles migraram de novo e desinflaram o apoio republicano.
Cálculo do jornal New York Times com base em pesquisas realizadas no último mês mostra que os democratas lideram entre os prováveis eleitores latinos por 35 pontos percentuais, com 64% das intenções de voto, ante 29% para os republicanos. Em 2024, Trump conseguiu 48% dos votos latinos. Em 2020, 36%.
Nas chamadas midterms, as eleições de meio de mandato, serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara e um terço das cadeiras do Senado de 100 membros. Hoje, republicanos contam com estreita maioria em ambas as Casas, o que facilita o governo de Trump. Na Câmara, possuem 218 cadeiras, ante 214 dos democratas. No Senado, 53, ante 45 para os democratas e 2 para independentes.
Quem é o chamado eleitor latino no país? O Pew Research Center, um dos institutos de pesquisa demográfica no país, estima que haja 39 milhões de latinos aptos a votar nos EUA (o voto no país não é obrigatório). Eles representam 16% do eleitorado total.
Em torno de 25% deles são imigrantes que nasceram em países latinos e depois conseguiram cidadania americana. Os outros 75% são filhos de latinos que já nasceram nos EUA, explica Mark Hugo Lopez, diretor de raça e etnia no Pew.
São também jovens. Em torno de 30% têm de 18 a 29 anos, enquanto essa parcela para o eleitor geral é de 25%. Mais da metade deles tem origem mexicana.
Os brasileiros não estão inclusos nesse grupo. Ainda que o Brasil seja parte da América Latina, o Censo americano historicamente considera que latinos são aqueles cuja língua materna é o espanhol. Assim, até espanhóis são tratados como latinos (ou hispanos, dado que no país os dois termos são usados, quase que sem distinção); os brasileiros, não.
A popularidade do presidente tem caído entre todos os setores latinos, mostra recente pesquisa do Pew. Ele é aprovado por 24%, quando, entre todos os segmentos da população, sua aprovação gira em torno de 32%. Entre os latinos que votaram nele em 2024, a aprovação é de 57%, mais de 30 pontos a menos do que era logo que seu segundo mandato começou, em janeiro de 2025.
O mesmo levantamento, que escutou 5.000 americanos de 28 de setembro a 4 de outubro, mostrou que a economia é o fator que mais motiva os latinos na hora de votar (86%). Depois estão a saúde (80%), a educação (75%), o futuro da democracia (69%) e, finalmente, a imigração (64%). O custo de vida está em alta no país.
Jaime Flórez, o diretor de comunicação hispânica no Comitê Nacional Republicano, diz à reportagem que o partido desconfia das pesquisas. E que há uma campanha massiva da imprensa contra Trump. Afirma, ainda, que o partido vê a possibilidade de um recuo no apoio latino, mas bem distante do tamanho que as pesquisas indicam.
Flórez, que é natural da Colômbia, diz que a campanha de Trump contra a imigração não abala a comunidade latina porque a comunidade que vota já está regularizada e concordaria com as deportações.
Parte é verdade: imigrantes em situação irregular não podem votar nos EUA. Nem sequer imigrantes em situação regular que detêm o green card, que fornece autorização de residência permanente, podem fazê-lo. Somente aqueles com cidadania americana o podem.
O ICE, a agência de migração americana recalibrada sob Trump, tem aumentado o número de prisões de imigrantes que votaram em eleições passadas sem que tivessem esse direito, o que é considerado crime.
O pesquisador Mark Hugo Lopez, por sua vez, diz que dois terços dos eleitores latinos afirmaram que a imigração é uma preocupação na hora de definir o voto. "Portanto, a imigração é, sim, um fato na conta."
"Isso tende a ser importante para latinos que são filhos de pais imigrantes, já que muitos que nasceram nos EUA podem ser filhos de pais em situação irregular", segue ele.
Nesta eleição há 4 milhões de latinos que estariam aptos a votar pela primeira vez, dado que completaram 18 anos. Se eles decidirão ir às urnas é outra questão.
A deputada pela Flórida María Elvira Salazar, talvez o nome mais conhecido entre os congressistas de origem latina (seus pais são cubanos, e ela nasceu em Miami), foi uma exceção nesse sentido. Salazar é republicana e, em setembro, publicou um vídeo no qual dizia que Trump foi longe demais em sua política migratória.
"Os mesmos hispânicos que ajudaram você a chegar à Casa Branca em 2024 se sentem traídos hoje", dizia ela em mensagem a Trump. "Não estou falando sobre dar a anistia a eles [imigrantes]. Estou falando sobre dar a eles uma vida digna nesta terra prometida."
Quando perguntado sobre o tema, Jaime Flórez disse que María Elvira está tentando a reeleição e que fez o que era preciso para se comunicar com a sua base.
Gás de cozinha fica mais caro na Bahia após novo reajuste da Acelen; botijão sobe até R$ 15
- Brumado Urgente
- 02 Nov 2026
- 08:16h

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
O preço do gás de cozinha sofreu um novo reajuste na Bahia e ficou mais caro a partir deste domingo (1º). A elevação de 17,5% no valor do gás liquefeito de petróleo (GLP) vendido às distribuidoras deve acarretar um acréscimo de R$ 12 a R$ 15 no valor final do botijão repassado ao consumidor.
Segundo informações confirmadas por Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas) ao g1, este é o maior aumento registrado no estado desde que a empresa Acelen assumiu a gestão da Refinaria de Mataripe, em dezembro de 2021. O repasse atinge diretamente toda a cadeia de distribuição e comercialização do produto.
Em nota oficial, a Acelen informou que o preço da tonelada do GLP comercializado para as distribuidoras subiu de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90. A empresa explicou que sua política de preços é orientada por critérios de mercado, acompanhando as variações da cotação internacional do petróleo, custos de frete e flutuações do câmbio.
Este é o sétimo reajuste do produto contabilizado em 2026, sucedendo oscilações registradas ao longo do ano que incluíram altas expressivas, como os 15,2% aplicados em abril e os 9,59% em junho, além de reduções pontuais nos meses de julho e agosto. A taxa anunciada para novembro representa o maior índice de variação do ano.
PT trava disputa interna e abre debate sobre futuro do partido no pós-Lula
- Por Catia Seabra e Caio Spechoto | Folhapress
- 01 Nov 2026
- 12:13h

Foto: Juca Varella / Agência Brasil
A cúpula do PT enfrenta disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e já debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula.
Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido. O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e articular a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.
Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória anterior do partido, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.
No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.
O próprio Lula externou crítica ao presidente do partido em fala à militância divulgada acidentalmente em canal da sigla. "Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou.
Edinho também contrariou aliados ao se lançar à Câmara dos Deputados, valendo-se do protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.
Reclamando de desorganização, candidatos contam que tiveram que redimensionar seus gastos após uma revisão do valor de recursos repassados já no curso da disputa.
Parlamentares eleitos também reivindicam maior controle sobre recursos do PT, o que provoca grande reação de dirigentes locais e defensores do rejuvenescimento partidário.
A discussão sobre o funcionamento da sigla poderá influenciar no médio prazo a ascensão de novos nomes. Um dos argumentos usados pelos dirigentes locais para cobrar mais poder sobre os recursos da sigla é que são eles que conhecem as conjunturas estaduais. Por isso, teriam mais condições para identificar candidatos com potencial que devem receber mais dinheiro para fazer campanha.
Um exemplo seria a campanha de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte. Ele era um candidato forte e foi eleito, mas teve apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional do partido para fazer campanha nos dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional do PT mais recursos de campanha que Cadu.
Mesmo que haja uma alteração na forma como o partido planeja suas candidaturas para a maioria dos cargos, é consenso que Lula é quem conduzirá sua própria sucessão. A vitória na eleição da semana passada deu a ele ainda mais força para controlar esse processo, reduzindo o risco de rachas entre grupos petistas na disputa pelo posto de candidato a presidente em 2030.
Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis herdeiros do chefe do governo. Mas ressalvam que ele não deve antecipar essa discussão. Sinalizar um sucessor imediatamente deslocaria a perspectiva de poder para um novo nome e diminuiria a autoridade do atual chefe de governo.
Camilo e Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste. Caso um dos dois seja escolhido, a região ganhará poder dentro do PT. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.
O atual chefe de governo foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras 3. Ele terá 85 anos quando seu próximo mandato, que começa em 5 de janeiro, acabar. Não deverá mais disputar eleições.
Apesar de já haver nomes considerados favoritos, aliados de Lula afirmam que esse quadro pode mudar até o momento de escolher um candidato para a próxima eleição. O exemplo, citado por diversos petistas, é a eleição de 2010. Os ministros José Dirceu e Antonio Palocci eram apontados como prováveis sucessores de Lula em seus primeiros mandatos. Os dois foram atingidos por escândalos, e Lula lançou Dilma Rousseff (PT).
Há anos petistas do Nordeste reclamam do poder de políticos paulistas sobre o partido, que tem em estados como Bahia, Ceará e Piauí seus melhores resultados eleitorais. Mas o número de filiados do partido em São Paulo desequilibra as votações internas em favor dos paulistas.
Em conversas com dirigentes do partido, Edinho Silva tem dito que a legenda precisa mudar sua organização interna, renovar quadros e reformular sua maneira de se comunicar.
Diretriz política aprovada pela Executiva petista na quinta-feira toca nesses assuntos.
"O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores", afirma o texto.
"O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada", afirma o texto.
Trump corrói disposição de defender democracia multirracial nos EUA, diz professora americana
- Por Angela Boldrini | Folhapress
- 01 Nov 2026
- 10:16h

Foto: Reprodução / Agência Brasil
Durante seus estudos em direito em Harvard, nos anos 1980, Kimberlé Crenshaw foi convidada para um dos clubes exclusivos e prestigiosos da universidade. Ao chegar, descobriu que o local só aceitava que mulheres entrassem pela porta dos fundos. O colega homem que a tinha convidado, negro como ela, não a defendeu.
"A solidariedade só se aplicava às coisas que nos afetassem da mesma forma", escreve ela em sua autobiografia, "Backtalker: an American memoir" (ed. Simon & Schuster, 2026, sem tradução para o português). Ele estaria disposto a defendê-la de discriminação racial, mas não de gênero.
As duas questões, para Crenshaw, eram indissociáveis: ela não era apenas mulher ou negra, mas uma intersecção das duas características. Anos depois, já como pesquisadora, ela sistematizou a sensação de desamparo daquela noite e cunhou o termo "interseccionalidade".
A ideia de que as múltiplas camadas de identidade de uma pessoa se sobrepõem e produzem opressões específicas se tornou uma das principais bases dos estudos de gênero e de políticas públicas de diversidade e inclusão.
Agora, porém, tudo isso está ruindo, diz a professora da Universidade Columbia e da UCLA (Universidade da Califórnia Los Angeles) em entrevista à Folha.
Na tentativa de criar um consenso para derrotar o governo de Donald Trump —nas eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3), mas também de forma geral—, a oposição tem se voltado contra grupos racializados e mulheres.
"A determinação de muitos que se consideram parte da coalizão democrata de sustentar uma democracia multirracial está sendo comprometida", afirma.
Crenshaw define a política Maga (Make America Great Again) como essencialmente racista, guiada por um sentimento de que os Estados Unidos estão sendo retirados dos brancos. "Fechar os olhos para isso, dizer que não podemos falar sobre o assunto ou que isso dificulta a construção das maiorias necessárias e, portanto, não podemos fazê-lo, significa aceitar que a sociedade continue sendo o que é", diz.
*Folha - A sra. já disse que o racismo contra pessoas negras é central para a política do Donald Trump. Por quê?*
*Kimberlé Crenshaw -* Um dos temas centrais que organizam tanto ressentimento e raiva, que são o combustível de grande parte da política Maga, é a ideia de que os eleitores cristãos brancos estão perdendo espaço.
O 6 de Janeiro [ataque ao Capitólio em 2021] é justificado porque estavam retomando seu país —a ideia de que a fonte da perda de seu direito de decidir são as comunidades negras e algumas latinas. Tudo é unido por um fio específico, segundo o qual aquelas pessoas não têm direito de estar onde estão, que é o "meu lugar".
Esse é um enquadramento que permite acreditar que suas violações da lei ou seu racismo são justificados. O racismo antinegro, especificamente, está na raiz dos ataques à diversidade, à equidade e à inclusão, aos direitos de voto, ao governo e ao Departamento de Educação. Ele é fundamentado na crença de que pessoas negras são menos qualificadas.
Toda a justificativa para nossa cidadania de segunda classe foi formulada em termos de nossa condição de "pessoas escravizáveis". O que fizeram conosco tornou-se uma característica essencial de quem somos. E essa parte da fundação dos Estados Unidos nunca foi realmente desconstruída. Portanto, ela continua por aí, como uma arma carregada, pronta para ser usada por pessoas como Trump e o movimento Maga.
*Folha - Trump também fez do controle da imigração uma de suas principais políticas. Até que ponto essa política diz respeito à imigração em si e até que ponto está relacionada à raça e ao tipo de Estados Unidos que seu governo deseja construir?*
*Kimberlé Crenshaw -* Acho que a resposta pode ser encontrada nos imigrantes que ele não quer e naqueles para os quais abriu as portas. Imigrantes sul-africanos, por exemplo, podem entrar sem apresentar uma história legítima de trauma, sem cumprir todos os requisitos tradicionais, particularmente quando solicitam asilo. Não precisam apresentar nenhuma evidência.
Enquanto isso, o presidente chamou outros imigrantes de pessoas indesejadas, vindas de "países de merda".
Está bastante claro que, mais uma vez, trata-se de um esforço para reforçar a ideia de que os Estados Unidos são um país de pessoas brancas e que fomos longe demais tentando defender que a raça não fosse uma condição de pertencimento.
*Folha Em outros momentos de avanços de direitos civis, já houve reações conservadoras nos EUA. O momento atual é diferente? É mais forte? Se sim, por quê?*
*Kimberlé Crenshaw -* Às vezes, a reação dura mais, é mais profunda e mais catastrófica do que o breve período de progresso que a antecedeu.
Veja a Reconstrução, por exemplo. Foi o período após a Guerra Civil Americana em que o governo apoiou, por um curto intervalo, o projeto de integrar as pessoas anteriormente escravizadas à cidadania. Foram aprovadas leis que garantiam direitos iguais de propriedade e de contratos, além de eliminar os obstáculos que nos impediam até mesmo de testemunhar em tribunais contra pessoas brancas. Foi criado o Freedmen's Bureau, e houve autorização para a construção de escolas.
Isso durou apenas oito anos e, então, foi derrubado. Suas consequências foram décadas de tirania racial, que duraram pelo menos 70 anos.
Essa é uma característica da nossa história: reformas modestas avançam e, em seguida, provocam uma reação contrária que não apenas dura mais, mas também aprofunda alguns dos padrões que as reformas tentavam eliminar.
Agora, talvez estejamos testemunhando uma reação à eleição do primeiro presidente negro [Barack Obama, eleito em 2008], seguida de outra reação ao movimento popular contra a violência policial antinegra [o Black Lives Matter, iniciado em 2013].
A questão é: até que ponto as pessoas preocupadas com a democracia estão conscientes de que não estamos falando apenas de um ciclo de dois anos ou de uma eleição presidencial? Que o que está em jogo é realmente o futuro do país, pelo menos durante este século, se não em parte do próximo?
*Folha - A esquerda no Brasil, assim como nos EUA, frequentemente afirma que, quando se dá muita atenção a questões de raça, gênero ou outros temas considerados "identitários", o foco se afasta das questões de classe e da desigualdade econômica, o que leva ao fracasso político e à ascensão da extrema direita. A sra. acha que esse é um problema político real?*
*Kimberlé Crenshaw -* Acho que essa crítica é o problema político real. Involuntariamente, ela revela como é limitada a compreensão de determinados setores da esquerda sobre a maneira como raça e gênero também são canais e reflexos da política de classe.
Na prática, quando analisamos os votos dos democratas na última eleição presidencial, constatamos que entre 92% e 94% das mulheres negras votaram contra o Maga. Entre os homens negros, foram 87%.
Mas essas pessoas não recebem o reconhecimento de que compreendem as questões de classe. Não recebem o reconhecimento de que são antiautoritárias. Isso acontece porque, para muitas pessoas da esquerda, o voto da classe trabalhadora é representado por homens brancos.
*Folha - Como acha que essas questões vão se manifestar nas eleições de meio de mandato?*
*Kimberlé Crenshaw -* A questão é quanto ressentimento e arrependimento existem em relação a uma guerra [do Irã] que nos prometeram que nunca aconteceria, aos preços que dispararam, à corrupção que afeta o orçamento da maioria dos consumidores, além do desmonte de alguns dos acordos básicos sobre o que constitui uma política legítima e o que é apenas tirania sob outro nome. Até que ponto esses sentimentos vão impulsionar o comportamento político?
A outra é quão eficazes serão os esforços para reprimir a política e a participação democrática.Temos uma Suprema Corte claramente alinhada às sensibilidades de Trump e que, consequentemente, esvaziou uma lei de direitos civis —a Lei dos Direitos de Voto— que estava em vigor havia seis décadas.
Esse ataque ao direito de voto está enraizado em ideias racializadas sobre quem está qualificado para votar. A lei está sendo usada de acordo com a ideia de que este é um país de pessoas brancas.
Suspeito que o resultado será uma combinação entre o grau de indignação das pessoas diante do que fizeram com nosso Estado, nosso governo, nosso país e nossa economia, e a eficácia dos esforços para sufocar a dissidência e a participação democrática, limitando essa indignação.
*Folha - Como acha que os anos Trump vão impactar as próximas gerações?*
*Kimberlé Crenshaw -* Algumas pessoas acreditam que o trumpismo precisa de Trump para continuar causando danos. Seria como uma gripe forte ou até um tornado: causa estragos, mas logo passa.
Outras pessoas, entre as quais me incluo, veem um colapso fundamental das ideias, dos acordos tácitos e do processo de 50 anos de construção de medidas e instituições democráticas destinadas a corrigir alguns dos erros do sistema. Essas instituições foram criadas para abrir caminhos que permitissem às futuras gerações ter maior acesso à riqueza do país e às oportunidades, além de evitar que fossem empurradas para alguns dos aspectos mais horríveis da sociedade americana.
Os ataques não poderão ser revertidos da noite para o dia. Essas estruturas levaram uma geração e meia, ou até mais, para serem construídas. E foram derrubadas praticamente da noite para o dia.
O que me preocupa ainda mais, se é que é possível imaginar algo pior, é que a determinação de muitas pessoas e grupos que se consideram parte da coalizão democrata de sustentar uma democracia multirracial também está sendo comprometida.
Ouvimos [o historiador] Timothy Snyder usar o termo "conformidade antecipatória". Eu acrescentaria a isso uma espécie de apagamento afirmativo. Não vemos muitas pessoas da comunidade progressista lamentando a perda do consenso de que somos uma sociedade pós-segregacionista, pós-escravidão e pós-genocídio.
Nunca deixaremos de ser uma sociedade marcada por essas histórias. Fechar os olhos para isso, dizer que não podemos falar sobre o assunto ou que isso dificulta a construção das maiorias necessárias e, portanto, não podemos fazê-lo, significa aceitar que a sociedade continue sendo o que é.
E é isso que me causa desespero. A luta já seria suficientemente difícil se estivéssemos todos de acordo sobre o que precisamos defender. Mas ainda não chegamos a um consenso sobre isso.
*Folha - Nas suas memórias, a senhora conta que seus pais estavam envolvidos em protestos e na luta pela igualdade racial. Existe hoje esse tipo de inspiração?*
*Kimberlé Crenshaw -* Nossa tarefa neste momento é resistir ao acordo com o retrocesso, resistir à restauração de antigas estruturas e resistir, em nome de nossos filhos, a uma história que lhes será contada sem a verdade. Nasci antes da aprovação das leis e da implementação das políticas destinadas a desmontar a supremacia branca. Nasci antes de sermos realmente uma democracia.
Ainda assim, meus pais acreditavam nessa possibilidade. Eles moldaram minha educação e até mesmo as conversas à mesa do jantar de maneira que nos tornássemos conscientes das restrições existentes, esperançosos em relação às oportunidades que estávamos lutando para tornar reais e preparados para aproveitá-las quando as barreiras caíssem.
É disso que precisamos neste momento: a mesma consciência, preparação e capacidade de imaginar uma realidade diferente.
*RAIO-X | Kimberlé Crenshaw, 67*
Formada pela Universidade Cornell, estudou direito em Harvard e leciona em Columbia e na UCLA (Universidade da Califórnia Los Angeles). Nos anos 1980, sistematizou o conceito de interseccionalidade, que analisa como diferentes formas de discriminação se sobrepõem. Cofundadora do African American Policy Forum, lançou a autobiografia intitulada "Backtalker" em 2026.
Agentes dos EUA assumiram controle de parte de aeroporto para fuga de Flávio, diz jornal argentino
- Por Ana Gabriela Oliveira Lima | Folhapress
- 01 Nov 2026
- 08:29h

Foto: Reprodução / CNN
Agentes dos Estados Unidos tomaram o controle de parte do aeroporto de Porto Iguaçu para ajudar na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, segundo publicação do jornal argentino Clarín desta sexta-feira (30). O país também contratou ao menos três jatos privados para garantir que o plano fosse bem-sucedido, segundo a publicação.
De acordo com o periódico, representantes estadunidenses coordenaram ações para garantir a decolagem do jato particular no qual estava o político, assumindo parte do trabalho de agentes da polícia de segurança aeroportuária e funcionários de imigração.
O secretário de Estado Marco Rubio negou, na tarde deste sábado (31), que os Estados Unidos tenham facilitado a fuga do senador. Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28) e se autoproclamou "verdadeiro presidente eleito" do Brasil em uma carta de teor golpista depois de perder as eleições presidenciais de 2026. Em seguida, ele recuou da afirmação e se disse "líder do Brasil", mantendo o tom golpista da comunicação.
A afirmação de Rubio vai na contramão da apuração de outros veículos de imprensa. Segundo os jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal, o estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação de Donald Trump, ajudou a organizar o avião particular que levou Flávio aos EUA após sua derrota na eleição presidencial.
De acordo com o Clarín, o governo estadunidense auxiliou com ao menos três aeronaves que estiveram no local para garantir que o plano foi bem-sucedido.
O jornal aponta que o dia da fuga foi marcado por confusão deliberada a partir de "falsas verdades" difundidas por autoridades, a fim de que o plano fosse bem-sucedido, dentre elas a divulgação de aliados de Flávio Bolsonaro de que ele já teria chegado aos Estados Unidos na terça-feira (27).
A operação também contou, segundo o Clarín, com o apoio do presidente argentino Javier Milei, que teria enviado o assessor Santiago Caputo à cidade de Misiones para garantir que o plano fosse exitoso.
Segundo o jornal, a operação contou com ao menos três aviões privados de alto custo operativo, coordenados pelo Departamento de Estado da Casa Branca, que aterrissaram na cidade ou foram usados como opções alternativas para garantir a chegada de Flávio até Miami.
O jornal também cita o uso de caminhões e carros com diferentes placas de identificação para confundir postos de controle, além da troca de informação entre agentes argentinos e estadunidenses.
Integrantes da equipe do DJ Arana são presos por documentos falsos em Congonhas ao tentar embarcar
- Bahia Notícias
- 31 Out 2026
- 12:38h

Foto: Reprodução
Três produtores do DJ Arana foram presos em flagrante nesta sexta-feira (30) no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, suspeitos de usar e providenciar documentos falsos para embarcar em um voo para Brasília.
Eles foram liberados depois. O DJ também foi levado à delegacia e ouvido pela Polícia Civil, mas foi liberado por falta de indícios de participação no crime.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), dois homens apresentaram documentos falsos, e o terceiro seria o responsável por conseguir a falsificação. Os três, identificados como integrantes da equipe do artista, chegaram a ser presos em flagrante. Outras três pessoas, entre elas o próprio DJ Arana, foram liberadas porque a polícia não encontrou elementos que as ligassem ao crime. “As investigações prosseguem para esclarecer todos os fatos”, informou a SSP.
A fraude foi percebida por funcionários da Gol. Parte da equipe do DJ já estava dentro do avião, que precisou voltar para a área de estacionamento para que os policiais fizessem a abordagem.
Aneel mantém bandeira verde na conta de luz para o mês de novembro
- Bahia Notícias
- 31 Out 2026
- 10:15h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30) que a bandeira tarifária verde será mantida nas contas de luz em novembro. Com a decisão, os consumidores não terão cobrança adicional na tarifa pelo segundo mês consecutivo. A medida foi adotada diante da melhora nas condições de geração de energia, favorecida pelo aumento das chuvas nas regiões onde estão localizadas as principais hidrelétricas.
Segundo a agência, o cenário contribui para a recuperação dos reservatórios e reduz a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custos mais elevados. A bandeira verde voltou a vigorar em outubro, depois de cinco meses de cobrança pela bandeira amarela. Nesse período, os consumidores pagavam um adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza os custos de geração de energia no país. Na classificação verde, não há acréscimo na conta. Já as bandeiras amarela e vermelha representam cobranças extras, conforme as condições de produção. Atualmente, a bandeira amarela acrescenta R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. Na vermelha, o adicional é de R$ 4,46 no patamar 1 e de R$ 7,87 no patamar 2.








